O mercado financeiro brasileiro registrou fortes perdas nesta segunda-feira (26), após a reeleição de Lula. A pressão vendedora levou a B3 a interromper temporariamente as negociações, enquanto ações de bancos e empresas brasileiras sofreram quedas expressivas no exterior.

Ibovespa chegou a cair cerca de 17% nesta segunda-feira (26), na primeira sessão após a vitória de Lula; mecanismo de proteção interrompeu as negociações por 30 minutos em meio à forte pressão vendedora.

A Bolsa de Valores brasileira registrou uma queda histórica nesta segunda-feira (26), após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência da República. O Ibovespa, principal índice do mercado acionário nacional, recuou mais de 15% durante a manhã e chegou a perder aproximadamente 17%, provocando a suspensão temporária das negociações na B3, em São Paulo.

A interrupção ocorreu depois que o índice caiu 10% em relação ao fechamento anterior, acionando o mecanismo de proteção conhecido como circuit breaker. Segundo comunicado da própria B3, as negociações de ações e de outros ativos abrangidos pela medida ficaram suspensas por 30 minutos, com retomada prevista em leilão.

A dimensão do movimento chamou a atenção dos investidores: segundo a Reuters, a queda superou os registros diários observados em grande parte das últimas décadas, em um episódio de forte aversão ao risco. O mecanismo de interrupção já havia sido acionado repetidas vezes durante a crise financeira de 2020, no início da pandemia de Covid-19.

Mercado reage à vitória de Lula

O resultado das eleições presidenciais, realizadas no domingo (25), contrariou as expectativas de parte dos investidores, que haviam se posicionado para uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno.

De acordo com os números divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. A perspectiva de uma mudança de orientação econômica com a vitória do candidato do PL havia contribuído para a valorização de ativos brasileiros nas semanas anteriores.

Agora, os mercados reavaliam as perspectivas para a política fiscal, a trajetória da dívida pública e os próximos passos da política econômica do governo. Investidores também aguardam sinais sobre a equipe econômica e as medidas que serão adotadas para equilibrar as contas públicas.

A reação negativa não significa, por si só, que todos os investidores compartilhem a mesma avaliação sobre o resultado eleitoral. A intensidade do movimento reflete também o desmonte de posições financeiras que haviam sido montadas com base em expectativas que não se concretizaram.

Bancos e empresas brasileiras sofrem perdas expressivas

A pressão vendedora atingiu diferentes setores da economia. Ações de bancos, empresas de serviços financeiros e companhias com exposição ao mercado brasileiro registraram perdas acentuadas, tanto na bolsa local quanto em negociações no exterior.

Na cotação registrada às 7h49, no horário da Argentina, a gráfica de mercado utilizada como referência mostrava o fundo negociado em bolsa iShares MSCI Brazil ETF (EWZ) em queda de 26,16% no pré-mercado. Entre as ações brasileiras listadas no exterior, XP apresentava recuo de 46,27%, enquanto StoneCo caía 33,97%.

A mesma fotografia de mercado indicava perdas de 29,48% para o Banco Bradesco (BBD), 27,71% para o Itaú Unibanco (ITUB) e 20,71% para a Nu Holdings (NU). Os papéis da Petrobras (PBR) recuavam 23,38%, enquanto as ações da Vale (VALE) registravam baixa de 3,95%.

Esses percentuais correspondem a cotações pontuais e não devem ser confundidos com os resultados finais do pregão. As variações também podem diferir entre ações negociadas no Brasil, recibos de ações no exterior e fundos que acompanham índices brasileiros, devido a horários, liquidez e composição distintos.

Real também perde força

A turbulência ultrapassou o mercado acionário e chegou ao câmbio. O real sofreu forte desvalorização diante do dólar, enquanto os investidores ajustavam suas posições após o resultado eleitoral.

A moeda brasileira também foi pressionada pelas dúvidas sobre a condução das contas públicas e pela possibilidade de manutenção de juros elevados. A trajetória dos juros é especialmente importante para o mercado financeiro, pois influencia o custo do crédito, as decisões de investimento das empresas e a atratividade relativa dos ativos brasileiros.

No mercado de títulos públicos, a reação também refletiu a revisão das expectativas sobre o risco fiscal e a política econômica. Em meio à volatilidade, o Tesouro Nacional cancelou leilões de títulos previstos para esta segunda-feira, segundo informações divulgadas pela Reuters.

O que acontece agora?

O comportamento dos mercados nos próximos dias dependerá, entre outros fatores, dos sinais enviados pelo governo reeleito sobre a política fiscal, da escolha da equipe econômica e da capacidade de construir apoio político para implementar suas propostas.

A queda desta segunda-feira representa uma reação imediata às expectativas dos investidores, mas não determina, isoladamente, o desempenho futuro da economia brasileira. A evolução da inflação, dos juros, do endividamento público e dos resultados das empresas continuará influenciando as decisões de investimento.

Com a volatilidade elevada, analistas recomendam cautela na interpretação das oscilações intradiárias. Os números observados durante a manhã ainda podem mudar significativamente antes do encerramento das negociações.

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