A morte de Sohaib Ahmed, de 38 anos, e de sua filha Manahal, de nove, em um incêndio em West Yorkshire levou a um alerta sobre a segurança de secadoras das marcas Hoover e Candy. Cerca de 1,6 milhão de aparelhos podem compartilhar características do modelo investigado.
Um legista britânico pediu que a fabricante de eletrodomésticos considere suspender as vendas de um modelo de secadora de roupas após a morte de um homem e de sua filha de nove anos em um incêndio residencial em Heckmondwike, no condado de West Yorkshire, na Inglaterra.
Sohaib Ahmed, de 38 anos, e Manahal Nazir Ahmed morreram em 8 de junho de 2025, depois que um incêndio atingiu a casa da família. A investigação concluiu que a origem mais provável das chamas foi uma secadora de roupas de condensação Hoover, modelo DX C10DCER-80, instalada na cozinha. No entanto, não foi possível determinar exatamente qual falha provocou o início do fogo.
Em um relatório de prevenção de mortes futuras, divulgado em outubro de 2026, o legista sênior Martin Fleming alertou que aproximadamente 1,6 milhão de secadoras das marcas Hoover e Candy podem compartilhar características semelhantes às do aparelho investigado.
O documento foi encaminhado à Haier Smart Home UK, empresa responsável pela marca, e ao Escritório de Segurança e Normas de Produtos do Reino Unido (OPSS). O legista considera necessário aprofundar as investigações para determinar se outros aparelhos podem apresentar riscos semelhantes.
Incêndio matou pai e filha e deixou outra criança gravemente ferida
O incêndio começou na manhã de 8 de junho de 2025. Por volta das 6h06, um vizinho percebeu fumaça saindo da residência da família, localizada na Russell Close, em Heckmondwike.
Os bombeiros chegaram ao local às 6h19 e encontraram Sohaib Ahmed inconsciente atrás da porta de entrada. Uma de suas filhas também foi encontrada gravemente ferida.
No andar superior, os socorristas localizaram Manahal no chão de um quarto. As equipes realizaram manobras de reanimação, mas não conseguiram salvar a menina. Ela morreu posteriormente no hospital, em consequência da exposição à fumaça e dos danos provocados pela falta de oxigênio.
O pai também não resistiu, apesar das tentativas de reanimação realizadas no local. A outra filha sobreviveu, mas precisou de tratamento hospitalar prolongado devido à gravidade dos ferimentos.
A mãe das crianças estava fora do país no momento do incêndio, segundo informações divulgadas durante a investigação.
Na conclusão do inquérito, encerrado em 24 de julho de 2026, Fleming considerou mais provável que o fogo tivesse começado na secadora instalada na cozinha. A investigação, contudo, não conseguiu estabelecer o mecanismo exato que provocou a ignição.
Aparelho foi quase completamente destruído pelas chamas
Um dos principais pontos de preocupação levantados pelo legista é a dificuldade de identificar a falha responsável pelo início do incêndio.
Segundo o relatório, especialistas ouvidos durante o inquérito explicaram que esse tipo de secadora pode ser quase completamente consumido pelas chamas depois que o fogo se espalha. A destruição do equipamento dificulta a análise posterior e pode impedir a identificação do defeito original.
Entre as hipóteses consideradas estão uma falha elétrica interna, um problema em uma solda, uma deficiência no relé do aquecedor ou outro mecanismo de ignição. Nenhuma dessas possibilidades, entretanto, foi confirmada como a causa específica do incêndio.
Fleming alertou que a impossibilidade de identificar a origem exata da falha representa um problema para a prevenção de novos acidentes. Sem conhecer o mecanismo responsável, torna-se mais difícil determinar quais medidas técnicas seriam necessárias para evitar ocorrências semelhantes.
O legista também afirmou que o OPSS recebeu um número significativo de notificações de incêndios envolvendo esse modelo, encaminhadas por serviços de combate a incêndios de diferentes partes do Reino Unido.
Legista recomenda investigação e possível suspensão das vendas
O relatório solicita que a fabricante avalie a realização de uma análise aprofundada das causas do problema, incluindo a investigação de outros incêndios relacionados ao mesmo modelo.
O objetivo é identificar eventuais padrões de falha e determinar se são necessárias alterações no projeto, a emissão de orientações técnicas para assistência e manutenção ou a adoção de medidas mais amplas de segurança.
Entre as possibilidades mencionadas estão um programa de alerta aos consumidores, uma campanha de segurança ou um eventual recolhimento dos aparelhos afetados.
Fleming também pediu que a empresa considere interromper as vendas do modelo DX C10DCER-80 enquanto a análise estiver em andamento e as autoridades competentes avaliarem os riscos.
A recomendação não equivale a uma proibição nacional de venda nem significa que todos os aparelhos das duas marcas apresentem defeitos comprovados. O objetivo é esclarecer se existe um risco que justifique medidas preventivas adicionais.
Fabricante contesta avaliação de risco elevado
O Grupo Haier, responsável pelas marcas Hoover e Candy, afirmou anteriormente que o modelo em questão não apresenta um risco de incêndio elevado e considerou desproporcional suspender sua comercialização.
A empresa também informou que a fabricação do modelo já havia sido encerrada. Ainda assim, o fim da produção não elimina a preocupação com os aparelhos que continuam em uso ou disponíveis no mercado.
O caso agora exige uma avaliação mais ampla das características técnicas do equipamento e das notificações de incêndios recebidas pelas autoridades.
O relatório de prevenção de mortes futuras não determina, por si só, um recolhimento obrigatório dos produtos. Ele exige que os destinatários respondam às preocupações apresentadas, informando as medidas adotadas ou planejadas e os respectivos prazos, ou expliquem por que não pretendem tomar providências.
A investigação busca, portanto, esclarecer se o modelo envolvido na tragédia apresenta um problema isolado ou se existem características de projeto que possam representar um risco mais abrangente.
Enquanto as autoridades analisam as informações, a principal preocupação é evitar que uma falha semelhante provoque novas mortes.