Os hospitais Queen’s Medical Centre e Nottingham City Hospital enfrentam uma pressão excepcional sobre os serviços de emergência, com mais de 100 pacientes aguardando atendimento e cerca de 200 pessoas que já receberam alta médica, mas continuam internadas.

A rede Nottingham University Hospitals NHS Trust (NUH), responsável pela administração dos dois hospitais, declarou nesta terça-feira um incidente crítico diante do aumento expressivo da demanda e da sobrecarga dos serviços de emergência em Nottingham, na Inglaterra.

A medida foi adotada para mobilizar recursos adicionais e aliviar a pressão sobre duas das principais unidades hospitalares da cidade. A situação é marcada por longas esperas, pacientes atendidos nos corredores e dificuldades para garantir o fluxo adequado de pessoas nos departamentos de emergência.

O alerta foi acionado após duas semanas de procura excepcional pelos serviços, período em que os hospitais registraram recordes de atendimento em três ocasiões consecutivas.

Em setembro, a rede hospitalar atendeu 2 mil pacientes a mais do que no mesmo mês de 2025. A pressão sobre os serviços também foi agravada pelo aumento de casos cardiológicos de alta complexidade, que exigem internações prolongadas e cuidados intensivos. A necessidade de manter esses pacientes sob acompanhamento por períodos maiores compromete a disponibilidade de leitos, profissionais e outros recursos necessários ao funcionamento das demais áreas.

“Estamos enfrentando uma situação extremamente difícil hoje e declaramos um incidente crítico para proteger nossos pacientes e apoiar nossos profissionais”, afirmou Tracy Pilcher, diretora de enfermagem do NUH.

Segundo a dirigente, mais de 100 pessoas aguardavam atendimento na área de emergência nesta terça-feira. Ela também pediu desculpas aos pacientes pelos impactos da crise sobre a qualidade e as condições de atendimento.

“Reconhecemos que as longas esperas e o atendimento nos corredores não são a forma como nossos profissionais querem trabalhar nem como nossos pacientes querem ser atendidos”, declarou.

Hospitais pedem ajuda às famílias para liberar leitos

Diante da falta de capacidade, a administração hospitalar fez um apelo à população para ajudar a liberar os leitos ocupados por pacientes que já receberam autorização médica para deixar o hospital.

Atualmente, cerca de 200 pessoas permanecem internadas nas duas unidades, embora já tenham recebido alta médica. A dificuldade para organizar o retorno desses pacientes para casa impede a liberação de leitos que poderiam ser utilizados por pessoas que precisam de internação.

“Se você tem algum familiar internado em nossos hospitais que já esteja em condições de voltar para casa, pedimos que venha buscá-lo o mais rápido possível”, solicitou Pilcher.

A liberação desses leitos é considerada fundamental para reduzir a pressão sobre os serviços de emergência e permitir que os hospitais recebam novos pacientes que necessitem de cuidados hospitalares.

NHS mobiliza recursos e orienta população a evitar emergências

A declaração de incidente crítico permite que o NUH solicite apoio extraordinário à rede do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, o NHS, para enfrentar a sobrecarga e reorganizar o atendimento.

Enquanto a situação não é normalizada, a administração pede que a população evite procurar os departamentos de emergência em casos de problemas de saúde leves, que podem ser resolvidos por outros canais de atendimento.

A orientação é utilizar o serviço telefônico ou a plataforma digital do NHS 111, procurar uma farmácia ou entrar em contato com um médico de família. Os serviços de emergência devem ser reservados para situações graves, como acidentes importantes e problemas de saúde que representem risco imediato à vida.

O NHS 111 oferece orientação para pessoas que precisam de assistência médica não emergencial, ajudando a identificar o serviço mais adequado para cada situação.

Visitas são restringidas diante da situação

Como parte das medidas de precaução, as visitas a pacientes internados foram temporariamente suspensas para pessoas que apresentem sintomas respiratórios ou sinais de gripe.

A restrição busca reduzir os riscos associados à transmissão de infecções dentro das unidades hospitalares, enquanto a administração acompanha a evolução da crise e atualiza as medidas de contingência.

A declaração de incidente crítico evidencia a pressão enfrentada pelos hospitais e a dificuldade de manter o atendimento dentro da capacidade disponível. A recuperação do fluxo de pacientes dependerá tanto da mobilização de recursos adicionais quanto da liberação de leitos e da utilização adequada dos serviços de saúde disponíveis na região.

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