Abdisamad Siad, de 33 anos, foi acusado de três agressões em Stamford Hill, no norte de Londres. Uma das vítimas empurrava um carrinho de bebê quando foi atingida duas vezes no rosto. A polícia investiga o caso como possível crime de ódio antissemita.
Um homem de 33 anos foi acusado de agredir três mulheres judias no bairro de Stamford Hill, no norte de Londres, em uma série de ataques ocorridos na segunda-feira, 19 de outubro. Uma das vítimas empurrava um carrinho com seu bebê quando foi atingida duas vezes no rosto. Imagens que circulam nas redes sociais mostram parte da violência.
A Polícia Metropolitana de Londres confirmou nesta quarta-feira, 21 de outubro, que Abdisamad Siad foi formalmente acusado de três crimes de agressão física. Ele compareceu ao Tribunal de Magistrados de Highbury Corner e se declarou inocente das acusações relacionadas aos ataques contra as três mulheres.
O caso provocou preocupação na comunidade judaica local. Segundo a organização de vigilância comunitária Shomrim, as vítimas acreditam que foram escolhidas por causa de sua identidade religiosa. A polícia trata as ocorrências como possíveis crimes de ódio antissemita e reforçou o patrulhamento na região.
Vídeo mostra agressão contra mulher com carrinho de bebê
As agressões ocorreram na região de Clapton Common, nas proximidades de Upper Clapton Road, em Hackney, no nordeste de Londres.
Um vídeo divulgado pela Shomrim mostra um homem correndo pela rua e se aproximando de uma pessoa que caminhava na direção contrária. Em seguida, ele desfere dois socos contra a cabeça da vítima, aparentemente uma mulher que empurrava um carrinho de bebê, e foge do local.
A gravação também mostra duas pessoas perseguindo o agressor após o ataque.
As informações apresentadas durante a audiência judicial indicam que as ocorrências envolveram três mulheres da comunidade judaica ortodoxa.
De acordo com a acusação, a primeira vítima relatou ter sido atingida no rosto por volta das 13h30. O homem teria feito um movimento como se fosse dar outro soco antes de fugir.
Cerca de seis minutos depois, por volta das 13h36, ele teria atacado a segunda mulher, que empurrava o carrinho de sua filha bebê, atingindo-a duas vezes no rosto. Pouco depois, a terceira vítima teria sido golpeada de três a quatro vezes.
As três mulheres sofreram ferimentos considerados leves, segundo a polícia.
Voluntários da comunidade detiveram o suspeito
A Polícia Metropolitana foi acionada por volta das 13h40 de segunda-feira, após receber informações de que integrantes da Shomrim haviam detido um homem suspeito de envolvimento nas agressões.
Os voluntários permaneceram com o suspeito até a chegada dos policiais, que efetuaram a prisão.
Inicialmente, o homem foi detido sob suspeita de agressão comum com agravante racial. Posteriormente, as autoridades confirmaram que ele também seria investigado por uma agressão independente ocorrida em Islington, na sexta-feira, 16 de outubro.
Segundo a polícia, a segunda ocorrência envolveu uma mulher que supostamente conhecia o suspeito.
Siad foi acusado de causar lesões corporais graves com intenção em relação a esse episódio separado. A acusação é distinta das três denúncias de agressão registradas em Hackney.
Na audiência desta quarta-feira, o acusado permaneceu sob custódia. O processo referente às três agressões em Hackney deverá prosseguir no Tribunal de Magistrados de Thames em 28 de outubro. A audiência relativa ao caso de Islington está prevista para 18 de novembro, no Tribunal da Coroa de Snaresbrook.
Polícia reforça patrulhamento após suspeita de antissemitismo
A investigação busca esclarecer as circunstâncias dos ataques e determinar se as mulheres foram escolhidas deliberadamente por serem judias.
Segundo informações divulgadas pela Shomrim, as vítimas relataram acreditar que haviam sido agredidas por causa de sua identidade judaica. A organização também pediu que outras possíveis vítimas ou testemunhas procurem as autoridades.
A inspetora-chefe Erica Crawshaw classificou o episódio como alarmante e angustiante e agradeceu aos voluntários que detiveram o suspeito antes da chegada da polícia.
A policial também reconheceu a preocupação provocada pelos ataques entre os moradores judeus de Hackney.
As autoridades ampliaram o patrulhamento na região e mantêm contato com representantes comunitários para tranquilizar os moradores e incentivar o compartilhamento de informações que possam contribuir para a investigação.
A Polícia Metropolitana pede que qualquer pessoa que tenha informações sobre os ataques entre em contato pelo telefone 101, informando a referência 3400/19OCT. Também é possível fornecer informações anonimamente à organização Crimestoppers, pelo número 0800 555 111.
Comunidade judaica relata crescente insegurança no Reino Unido
Os ataques em Stamford Hill ocorrem em meio à preocupação com a segurança da comunidade judaica britânica diante de episódios recentes de violência antissemita.
Entre os casos registrados em Londres neste ano estão ataques incendiários contra ambulâncias comunitárias, incidentes envolvendo bombas incendiárias e um ataque com faca contra dois homens judeus em Golders Green.
A sequência de ocorrências alimentou o debate sobre a proteção das comunidades judaicas e a resposta das autoridades aos crimes motivados por preconceito religioso.
Uma pesquisa divulgada pela organização Campaign Against Antisemitism em dezembro de 2025 revelou que 96% dos judeus britânicos entrevistados consideravam que os judeus estavam menos seguros no Reino Unido do que antes de outubro de 2023. O levantamento também apontou que 98% acreditavam que o antissemitismo havia aumentado no país desde aquele período.
Os resultados refletem a percepção de insegurança entre os participantes da pesquisa e não representam, por si só, uma medição estatística do número de crimes antissemitas registrados no país.
O caso de Stamford Hill acrescenta mais um episódio de violência às preocupações da comunidade judaica britânica. Enquanto a investigação prossegue, as autoridades tentam identificar eventuais outras vítimas e esclarecer se os ataques foram motivados por antissemitismo.