Um motorista de Uber no Reino Unido é acusado de atropelar um passageiro após uma discussão motivada pelo fato de o homem ter vomitado dentro do carro. Segundo depoimentos apresentados no Tribunal da Coroa de Basildon, em Essex, o condutor teria acelerado em direção à vítima e passado por cima dela antes de dar marcha à ré e avançar novamente.
Michael Ashton, de 28 anos, funcionário da administração municipal de Barking e Dagenham, morreu em 4 de outubro de 2025, oito dias depois de sofrer ferimentos graves no incidente ocorrido na noite de 26 de setembro, em Rosecroft Close, Langdon Hills, no condado de Essex.
O réu, Hayadulla Turkmani, de 53 anos, residente em Hornchurch, no leste de Londres, nega a acusação de homicídio. O caso está sendo julgado, e as alegações apresentadas pela acusação ainda precisam ser avaliadas pela Justiça.
“Acelerou a uma velocidade incrível”
Ray Green, morador da região, contou ao tribunal que presenciou parte do episódio da janela de seu quarto. Segundo o depoimento, ele viu os dois homens discutindo aos gritos antes de o carro avançar em direção a Ashton.
“Vi o motorista acelerar a uma velocidade incrível em direção a Ashton”, afirmou Green. Ele acrescentou que o jovem estava a cerca de quatro ou cinco metros do veículo quando o carro avançou contra ele.
O vizinho declarou ainda que o automóvel passou por cima da vítima, parou, recuou alguns metros e voltou a avançar. Green disse ter ouvido o som do corpo sendo arrastado pelo chão.
“Naquele momento, fechei as cortinas e pensei: ‘O que foi que acabei de presenciar?’”, relatou a testemunha.
Durante o julgamento, o advogado de defesa, Tom Wainwright, questionou o relato de Green. Ele lembrou que, durante os primeiros interrogatórios realizados no local, o vizinho havia sugerido à polícia que o motorista talvez não tivesse percebido que Ashton estava sob o veículo.
Discussão começou depois que passageiro passou mal
Sophie Caroll, companheira de Ashton, relatou ao tribunal os acontecimentos que antecederam o atropelamento. O casal havia saído para jantar e beber em Upminster e Hornchurch antes de solicitar uma corrida de Uber para voltar à residência onde morava.
Pouco antes de chegar ao destino, Ashton passou mal e vomitou no banco traseiro do veículo.
Caroll contou que o motorista se virou e demonstrou muita irritação. Ela entrou em casa para buscar lenços umedecidos e tentar limpar o carro, enquanto a discussão entre os dois homens continuava.
Segundo o depoimento, a situação ficou mais tensa depois que a mulher voltou à rua. Embora o casal tentasse se afastar, Turkmani teria feito um comentário provocativo, levando Ashton a se virar e retornar em direção ao motorista.
Poucos segundos depois, Caroll percebeu que não conseguia encontrar o companheiro. Ao olhar novamente para o local, viu Ashton preso sob a carroceria do carro.
“Eu estava histérica, gritando, e liguei imediatamente para a ambulância”, declarou.
O jovem foi levado ao hospital com ferimentos graves, mas morreu em 4 de outubro de 2025, oito dias após o incidente.
Julgamento continua em Basildon
O caso está sendo analisado pelo Tribunal da Coroa de Basildon, onde os depoimentos de testemunhas ajudam a esclarecer a sequência dos acontecimentos e as circunstâncias da morte de Ashton.
A acusação sustenta que o motorista avançou contra o passageiro após a discussão. A defesa, por sua vez, questiona elementos dos relatos apresentados ao tribunal. Turkmani nega a acusação de homicídio e, até que haja uma decisão judicial, deve ser considerado inocente nos termos da lei.
O julgamento continua, com previsão de se estender por aproximadamente três semanas, segundo informações divulgadas pela imprensa britânica.