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As internações por COVID-19 voltaram a aumentar na Inglaterra, com Londres registrando o crescimento mais acentuado entre as regiões do país. Segundo os dados mais recentes da Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (UKHSA), a taxa semanal de hospitalizações por coronavírus na Inglaterra subiu de 0,81 para 1,20 caso por 100 mil habitantes, um aumento de quase 50% em apenas uma semana. Na região de Londres, a taxa passou de 0,95 para 1,70 por 100 mil habitantes, uma alta de aproximadamente 79%.

O avanço ocorre ao mesmo tempo em que aumenta a presença da variante XFG, conhecida como Stratus e apelidada informalmente de “COVID americano”. Mais da metade das amostras positivas submetidas a sequenciamento genético na Inglaterra correspondia a essa linhagem no período analisado. No entanto, as autoridades sanitárias ressaltam que não há evidências de que a variante provoque uma doença mais grave do que outras linhagens atualmente em circulação.

Positividade nos hospitais também aumenta

Os dados da UKHSA mostram que a circulação do vírus voltou a ganhar força nas últimas semanas. A proporção de testes hospitalares positivos para SARS-CoV-2 aumentou de 5,9% para 7% no período analisado, segundo o relatório nacional de vigilância publicado em 24 de setembro.

O aumento da hospitalização, porém, parte de níveis relativamente baixos. A própria UKHSA destaca que a atividade da COVID-19 continua em patamares reduzidos quando comparada aos períodos mais intensos da pandemia. O crescimento recente está sendo acompanhado pelas autoridades justamente para avaliar a evolução do vírus durante a chegada dos meses mais frios.

Entre os grupos mais vulneráveis, a situação merece atenção especial. A taxa de internação entre pessoas com 85 anos ou mais passou de 7,08 para 12,43 por 100 mil habitantes no mesmo período, segundo os dados da agência britânica.

Variante Stratus ganha espaço

A XFG, conhecida como Stratus, está entre as linhagens de COVID-19 mais monitoradas atualmente no Reino Unido. A variante foi identificada no início de 2026 e posteriormente passou a ser detectada em diferentes países.

Apesar do crescimento de sua circulação, a UKHSA afirma que os dados disponíveis não indicam que a XFG provoque quadros mais graves. A agência também acompanha outras linhagens, incluindo a NB.1.8.1, conhecida informalmente como Nimbus.

Por isso, especialistas recomendam cautela ao relacionar diretamente a variante ao aumento das internações. O crescimento da circulação do vírus e das hospitalizações ocorre no mesmo período em que a XFG se tornou mais frequente, mas isso não significa, por si só, que a variante seja a responsável pelo aumento observado.

O epidemiologista consultor Alex Allen, da UKHSA, destacou que as autoridades acompanham continuamente os dados das diferentes variantes, tanto no Reino Unido quanto em outros países, para identificar eventuais mudanças no comportamento do vírus.

Quais são os sintomas da COVID-19?

Os sintomas atuais da COVID-19 podem ser semelhantes aos de um resfriado ou da gripe, o que dificulta a identificação da infecção apenas pelo quadro clínico.

Entre os sintomas descritos pela UKHSA estão febre ou calafrios, tosse persistente, falta de ar, cansaço, dores musculares, dor de cabeça, dor de garganta, congestão ou coriza, perda de apetite, náusea, diarreia e alterações no paladar ou no olfato. Algumas pessoas também relatam rouquidão ou dor de garganta particularmente intensa.

A agência recomenda que pessoas com sintomas de infecção respiratória evitem o contato com indivíduos vulneráveis e permaneçam em casa quando estiverem com febre ou indispostas para realizar suas atividades habituais.

Como os sintomas podem se sobrepor aos de outras infecções respiratórias, os testes continuam sendo uma ferramenta importante para confirmar a presença do coronavírus quando houver indicação.

Quem deve receber a vacina contra a COVID-19?

A vacinação continua sendo uma das principais medidas de proteção para os grupos com maior risco de desenvolver complicações.

No Reino Unido, a campanha de vacinação contra a COVID-19 é direcionada principalmente a pessoas consideradas mais vulneráveis. Entre os grupos elegíveis estão pessoas com 75 anos ou mais, residentes em instituições para idosos e pessoas imunossuprimidas a partir dos seis meses de idade, de acordo com as recomendações da UKHSA.

A orientação das autoridades não significa que a população geral esteja diante de uma nova emergência sanitária. O aumento atual está sendo monitorado dentro da vigilância habitual das doenças respiratórias, especialmente porque diferentes vírus costumam circular simultaneamente durante o outono e o inverno.

Cientistas testam uma vacina nasal de amplo espectro

Enquanto as autoridades acompanham o aumento da circulação do coronavírus, pesquisadores nos Estados Unidos trabalham em novas formas de prevenção contra diferentes infecções respiratórias.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Stanford Medicine e colaboradores, publicado na revista Science em fevereiro de 2026, apresentou resultados promissores de uma vacina experimental administrada por via nasal. Nos testes realizados em camundongos, a formulação estimulou uma resposta imunológica ampla nos pulmões e protegeu os animais contra diferentes ameaças respiratórias.

Os pesquisadores observaram proteção contra o SARS-CoV-2 e outros coronavírus, além de bactérias como Staphylococcus aureus e Acinetobacter baumannii. A formulação também reduziu respostas alérgicas provocadas por ácaros presentes na poeira doméstica.

A estratégia é diferente das vacinas tradicionais, que normalmente estimulam o organismo a reconhecer componentes específicos de um determinado agente infeccioso. O método desenvolvido pela equipe de Stanford busca manter as defesas imunológicas das vias respiratórias em estado de alerta por um período prolongado.

Os resultados, porém, ainda estão em uma fase inicial. O estudo foi realizado em camundongos, e a vacina experimental ainda precisa passar por testes clínicos em seres humanos para determinar sua segurança e eficácia. Os pesquisadores esperam iniciar os primeiros estudos clínicos caso obtenham os recursos necessários.

Londres concentra a maior alta, mas não há sinal de uma nova crise

O aumento das hospitalizações em Londres chama atenção porque a capital apresentou a maior alta regional registrada no último relatório da UKHSA. Ainda assim, os números atuais estão muito distantes dos níveis observados durante os períodos mais graves da pandemia.

A situação também não indica, neste momento, que a variante Stratus esteja provocando uma forma mais severa da doença. O principal alerta das autoridades está relacionado ao aumento da circulação do vírus e à necessidade de manter a proteção dos grupos mais vulneráveis.

Com a chegada do período mais frio, a Inglaterra continuará monitorando a evolução da COVID-19, da gripe e de outros vírus respiratórios. Para Londres, onde a taxa de hospitalização apresentou o maior crescimento regional, os próximos relatórios serão importantes para determinar se o aumento representa apenas uma oscilação sazonal ou o início de uma tendência mais prolongada.

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