Milhares de brasileiros foram às urnas neste domingo, 4 de outubro, em diferentes países europeus para participar do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. Portugal e Reino Unido concentram alguns dos maiores eleitorados brasileiros fora do país e ganharam atenção especial durante uma votação marcada pela polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A eleição presidencial brasileira mobiliza eleitores dentro e fora do país em uma disputa considerada uma das mais acirradas dos últimos anos. Enquanto a votação avançava no território brasileiro, brasileiros residentes no exterior já haviam começado a votar horas antes por causa dos diferentes fusos horários.

No exterior, o voto é exclusivo para presidente e vice-presidente da República. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 918.876 brasileiros estão habilitados a votar fora do Brasil em 2026, distribuídos por 186 cidades de 134 países. O número representa um crescimento de 31,82% em relação a 2022, quando havia 697.078 eleitores registrados no exterior.

Portugal concentra um dos maiores eleitorados brasileiros fora do país

Portugal ocupa uma posição central nesta eleição. O país tem mais de 134 mil brasileiros aptos a votar, ficando atrás apenas dos Estados Unidos entre os maiores eleitorados brasileiros no exterior.

Lisboa é o maior colégio eleitoral brasileiro fora do território nacional. Segundo dados divulgados pela Folha de S.Paulo, a capital portuguesa tem 78.833 eleitores registrados, distribuídos por 207 seções eleitorais instaladas em três prédios da Universidade de Lisboa. O eleitorado da cidade cresceu 74% desde 2022.

O tamanho desse eleitorado transformou a organização da votação em um dos principais desafios do pleito. Em 2022, milhares de brasileiros enfrentaram longas filas e esperas que chegaram a várias horas. Para evitar a repetição dos problemas, o consulado brasileiro mobilizou uma operação especial e reorganizou a distribuição das seções eleitorais.

O Porto também aparece entre os maiores colégios eleitorais brasileiros no exterior, com 47.496 eleitores registrados segundo os dados eleitorais utilizados pelo mapa de apuração.

Como Portugal costuma votar?

O comportamento eleitoral dos brasileiros em Portugal é especialmente relevante para entender a disputa deste ano.

No segundo turno de 2022, Lula venceu com ampla vantagem em Portugal. Em Lisboa, o atual presidente recebeu 64,5% dos votos válidos, enquanto no Porto alcançou 64,8%.

Esses resultados não permitem antecipar o comportamento do eleitorado em 2026, mas oferecem uma referência importante. A comunidade brasileira em Portugal cresceu significativamente desde a última eleição, e o resultado deste domingo poderá mostrar se a preferência observada em 2022 se mantém ou se Flávio Bolsonaro consegue avançar entre os eleitores brasileiros no país.

Reino Unido: filas em Londres e mais de 37 mil eleitores

No Reino Unido, a votação também foi marcada por forte movimentação, especialmente em Londres.

Cerca de 37,5 mil brasileiros estão habilitados a votar na capital britânica, enquanto o eleitorado brasileiro no Reino Unido ultrapassa 37 mil pessoas. Londres concentra a maior parte dos eleitores, e há também uma seção eleitoral em Edimburgo, na Escócia.

Na capital britânica, a votação foi concentrada no West London College, onde três espaços foram preparados para receber as urnas eletrônicas. Apesar das filas extensas registradas durante a manhã, relatos divulgados pela imprensa indicaram que o processo ocorria de maneira organizada.

Mais de 20 mil brasileiros participam pela primeira vez de uma eleição brasileira no Reino Unido, segundo informações divulgadas pela CNN Brasil. O número ajuda a dimensionar o crescimento e a renovação do eleitorado brasileiro no país.

A concentração dos locais de votação também representa um desafio logístico para brasileiros que vivem longe de Londres e Edimburgo. Pessoas residentes em cidades como Manchester e Liverpool precisam percorrer distâncias consideráveis para exercer o direito de voto.

Londres já havia dado vantagem a Lula

Assim como Portugal, o Reino Unido apresentou vantagem para Lula na eleição de 2022.

No segundo turno daquele ano, Lula recebeu 60,2% dos votos válidos em Londres, contra 39,8% de Jair Bolsonaro. A cidade aparece novamente entre os principais pontos de interesse da votação brasileira no exterior.

O resultado de 2026 será, portanto, uma referência importante para observar se esse padrão se mantém ou se Flávio Bolsonaro consegue alterar o comportamento eleitoral da comunidade brasileira no Reino Unido.

Por enquanto, a atenção permanece voltada para a apuração dos votos em Londres e Lisboa, dois dos maiores colégios eleitorais brasileiros fora do país.

Primeiros resultados mostram um eleitorado dividido

Enquanto Portugal e Reino Unido concentram grandes expectativas, os primeiros resultados divulgados em outros países já mostram que o eleitorado brasileiro no exterior está longe de apresentar um comportamento uniforme.

Lula abriu vantagem em diversos países da Oceania, da Ásia e da Europa. Na Nova Zelândia, recebeu 234 votos, contra 64 de Flávio Bolsonaro. Na Austrália, foram 4.562 votos para Lula e 2.579 para o candidato do PL. O petista também venceu nas parciais divulgadas na Coreia do Sul, Malásia e Singapura.

Na Europa, Lula apareceu na frente em países como Estônia e Finlândia. Na Estônia, recebeu 74,74% dos votos válidos, enquanto na Finlândia alcançou 68,74%.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, conseguiu uma vantagem expressiva no Japão, um dos maiores colégios eleitorais brasileiros na Ásia. No resultado divulgado, o candidato do PL recebeu 24.601 votos, contra 5.222 de Lula, uma diferença superior a 19 mil votos.

O candidato também venceu em países como Israel, Catar, Emirados Árabes Unidos, Filipinas e Tailândia. Em Israel, por exemplo, Flávio recebeu 74,40% dos votos válidos, contra 13,09% de Lula.

Os resultados reforçam a divisão política existente entre brasileiros residentes no exterior. Enquanto Lula consegue vantagem em diferentes países europeus, na Oceania e em parte da Ásia, Flávio Bolsonaro apresenta desempenho especialmente forte em alguns importantes polos da comunidade brasileira.

O peso do voto brasileiro no exterior

Embora o eleitorado residente fora do país represente pouco mais de 0,5% do eleitorado brasileiro, os quase 919 mil eleitores registrados em 2026 constituem uma amostra relevante da diversidade política da comunidade brasileira espalhada pelo mundo.

A votação no exterior também apresenta características particulares. Os brasileiros com domicílio eleitoral fora do país votam exclusivamente para presidente e vice-presidente, e os resultados podem ser conhecidos antes dos votos do Brasil em algumas localidades devido à diferença de fuso horário.

Os Estados Unidos concentram o maior número de eleitores brasileiros no exterior, seguidos por Portugal e outros grandes polos da diáspora brasileira. Lisboa, Porto, Londres, Paris, Milão e Madri estão entre as cidades europeias com os maiores eleitorados.

O crescimento desse eleitorado torna os resultados internacionais cada vez mais relevantes para compreender as diferentes tendências políticas entre brasileiros que vivem fora do país.

Portugal e Reino Unido são os grandes termômetros da Europa

A expectativa agora está voltada para a consolidação dos resultados em grandes colégios eleitorais como Lisboa e Londres.

Portugal e Reino Unido têm importância especial não apenas pelo número de eleitores, mas também pelo histórico de votação favorável a Lula em 2022. Ao mesmo tempo, os primeiros resultados de outros países mostram que a eleição de 2026 apresenta um cenário internacional mais fragmentado, com vitórias de Lula e Flávio Bolsonaro em diferentes regiões.

O resultado de Lisboa e Londres poderá, portanto, oferecer uma indicação importante sobre o comportamento político de duas das maiores comunidades brasileiras na Europa.

A pergunta central agora é se os eleitores brasileiros nesses dois países manterão a preferência demonstrada em 2022 ou se o avanço de Flávio Bolsonaro conseguirá modificar o mapa eleitoral da comunidade brasileira no continente.

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