Sulaiman Tajzai, de 18 anos, comprou uma faca em Leeds, viajou mais de 240 quilômetros até Londres e esperou a vítima chegar em casa. Farmanullah Sherzad, de 26 anos, tentou fugir, mas foi perseguido e esfaqueado repetidamente em Westminster.

Um jovem afegão foi condenado à prisão perpétua nesta sexta-feira, 18 de setembro, pelo assassinato de um homem de 26 anos em Westminster, no centro de Londres. O tribunal determinou que Sulaiman Tajzai, de 18 anos, deverá cumprir pelo menos 25 anos de prisão antes de poder solicitar a liberdade condicional.

Tajzai havia admitido, uma semana antes, o assassinato de Farmanullah Sherzad, além da posse de um objeto cortante. O crime ocorreu em 27 de março de 2026, na Abbey Orchard Street, depois que o jovem viajou de Leeds a Londres para encontrar a vítima.

A investigação da Polícia Metropolitana mostrou que Tajzai comprou a faca em uma loja de conveniência em Leeds no próprio dia do crime e embarcou em um trem para Londres. Imagens de câmeras de segurança também revelaram que ele já havia viajado anteriormente à capital para observar a residência e o local de trabalho de Sherzad.

Vítima tentou fugir antes de ser perseguida

Por volta das 22h15, Sherzad retornava do trabalho quando encontrou Tajzai esperando do lado de fora de sua residência.

Ao perceber o jovem, Sherzad tentou fugir. Tajzai correu atrás dele até a Abbey Orchard Street e o atacou com a faca.

A vítima sofreu múltiplos ferimentos e foi encontrada inconsciente por uma pessoa que passava pelo local. Os serviços de emergência foram acionados, mas Sherzad morreu aproximadamente 20 minutos depois, apesar dos esforços da equipe médica.

A investigação concluiu que o ataque foi planejado. Segundo as provas apresentadas à Justiça, Tajzai havia feito viagens anteriores a Londres para localizar a casa e o local de trabalho de Sherzad.

Luvas deixaram ligação com o assassinato

Depois do ataque, Tajzai fugiu pela região de Westminster e deixou cair um par de luvas pretas nas proximidades do St James’ Park.

A análise forense encontrou sangue de Farmanullah Sherzad nas luvas, enquanto o DNA recuperado na parte interna foi associado a Tajzai.

As imagens de segurança também permitiram aos investigadores reconstruir a movimentação do jovem desde sua saída de Leeds até a chegada a Londres e seu deslocamento pela capital.

Após o assassinato, Tajzai tentou retornar para Leeds. Ele chegou à estação de King’s Cross, mas perdeu o trem que pretendia pegar. Pouco depois das 6h da manhã seguinte, embarcou em outro serviço para voltar ao norte da Inglaterra.

Ele foi preso dois dias depois, em 29 de março, na casa de seu primo em Leeds. Durante a busca no imóvel, os policiais apreenderam diversos objetos, entre eles um par de tênis com manchas de sangue.

Conflito familiar estava na origem da animosidade

O tribunal ouviu que a hostilidade entre Tajzai e Sherzad remontava ao segundo semestre de 2025 e estava relacionada a uma disputa envolvendo a mulher casada com o primo do acusado.

Segundo as informações apresentadas durante o processo, havia uma relação anterior entre Sherzad e a mulher que havia se deteriorado. Em outubro de 2025, policiais foram à residência do casal em Leeds e encontraram Sherzad com os pulsos amarrados e sentado no chão.

Na ocasião, ele foi preso sob suspeita de perseguição e invasão com intenção de cometer um crime sexual, mas posteriormente foi liberado sem que novas medidas fossem tomadas contra ele.

Sherzad afirmou depois que mantinha um relacionamento com a mulher e que havia viajado para Leeds após ela o convidar por meio do Snapchat.

O tribunal também ouviu que Tajzai acreditava, de forma equivocada, que Sherzad tinha ligação com o Talibã. Segundo as provas apresentadas, essa crença estava relacionada à história familiar do acusado, cujo pai teria sido sequestrado pelo grupo e era suspeito de ter sido morto por seus integrantes.

Farmanullah era descrito pela família como trabalhador e respeitoso

A família de Farmanullah Sherzad apresentou ao tribunal relatos sobre sua personalidade e sobre o impacto causado pela morte.

Seus familiares o descreveram como um homem amigável, educado, respeitoso e tolerante.

Sherzad também era apaixonado por críquete e, segundo seus familiares, era um jogador muito habilidoso, especialmente como lançador rápido. Trabalhava com frequência seis ou sete dias por semana e era considerado uma pessoa dedicada ao trabalho.

A Polícia Metropolitana afirmou que a sentença não pode reparar a perda sofrida pela família, mas espera que o resultado ofereça algum senso de justiça aos parentes da vítima.

Tajzai chegou ao Reino Unido em 2022

Durante o processo, a promotora Lisa Wilding KC afirmou que Tajzai declarou ter 14 anos quando entrou no Reino Unido, em agosto de 2022, e posteriormente apresentou um pedido de asilo.

Reportagens sobre o julgamento informaram que ele se estabeleceu em Leeds. Sua situação migratória foi apresentada no processo como parte de seu histórico, mas não como causa do assassinato.

O crime ocorreu quase quatro anos depois de sua chegada ao país.

Investigação reuniu imagens e provas forenses

A Polícia Metropolitana destacou o trabalho dos investigadores para reconstruir os acontecimentos e estabelecer a ligação entre Tajzai e o assassinato.

O detetive-chefe inspetor Wayne Jolley, responsável pela investigação, afirmou que a equipe analisou minuciosamente imagens de câmeras de segurança e provas forenses para construir o caso.

Segundo o policial, a condenação reflete a gravidade do ataque e a perda de uma vida jovem.

Tajzai foi condenado no Old Bailey, o Tribunal Criminal Central de Londres, a prisão perpétua, com período mínimo de 25 anos. A pena foi aplicada pelo assassinato de Farmanullah Sherzad e pela posse de uma arma branca.

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