Doctor hand in blue gloves holding influenza vaccine for prevention human.Nurse holding syringe make injection in shoulder of patient in hospital.Covid-19 or coronavirus vaccine.

Milhares de pacientes com câncer na Inglaterra poderão passar a receber um importante tratamento de imunoterapia em apenas um ou dois minutos, graças à introdução de uma nova versão injetável do pembrolizumabe pelo Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS).

A nova formulação é aplicada sob a pele e poderá substituir, para pacientes elegíveis, a administração tradicional do medicamento por via intravenosa. De acordo com o NHS England, cerca de 14 mil pessoas iniciam anualmente o tratamento com pembrolizumabe na Inglaterra, e a expectativa é que a maioria possa se beneficiar da nova modalidade.

Dependendo do tipo de câncer e do esquema terapêutico indicado, a injeção poderá ser administrada a cada três semanas, em aproximadamente um minuto, ou a cada seis semanas, em cerca de dois minutos. A mudança pode reduzir em até 90% o tempo necessário para a administração do tratamento em comparação com o procedimento intravenoso.

Como funciona a imunoterapia

O pembrolizumabe é um medicamento que atua sobre o sistema imunológico. Ele bloqueia a proteína PD-1, que funciona como uma espécie de mecanismo de freio das células de defesa. Ao impedir esse sinal, o tratamento ajuda o sistema imunológico a reconhecer e atacar as células cancerígenas.

A estratégia faz parte de uma classe de tratamentos conhecida como terapia de bloqueio dos pontos de controle imunológico, que transformou o tratamento de diversos tipos de câncer. A importância dessa abordagem foi reconhecida pelo Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2018, concedido aos pesquisadores James Allison e Tasuku Honjo por suas descobertas sobre como liberar os mecanismos que impedem o sistema imunológico de combater os tumores.

O pembrolizumabe pode ser utilizado no tratamento de diferentes tipos de câncer, incluindo tumores de pulmão, mama, cabeça e pescoço e colo do útero, entre outros. A formulação subcutânea foi desenvolvida para oferecer a mesma substância ativa por uma via de administração mais rápida e conveniente.

Menos tempo no hospital

Até agora, pacientes que recebem pembrolizumabe por via intravenosa precisam passar por um processo que pode levar até duas horas em cada sessão. Além do tempo do paciente na unidade de tratamento, as equipes de farmácia hospitalar precisam preparar a medicação em condições estéreis antes que ela seja administrada por meio de uma infusão na veia.

Com a nova formulação, pronta para administração por via subcutânea, parte desse processo é eliminada. O NHS estima que a mudança possa economizar mais de 100 mil horas de preparação e tratamento por ano, liberando tempo e espaço para que as equipes atendam outros pacientes.

O impacto também pode ser significativo para pessoas que precisam comparecer regularmente ao hospital. Para muitos pacientes oncológicos, cada sessão envolve não apenas a administração do medicamento, mas também deslocamento, espera e permanência prolongada na unidade de tratamento.

O professor Peter Johnson, diretor clínico nacional do NHS para a área de câncer, afirmou que a nova modalidade pode tornar o tratamento mais rápido e conveniente, ao mesmo tempo em que libera consultas e capacidade das equipes para atender mais pessoas.

Shirley, de 89 anos, foi uma das primeiras pacientes

Entre as primeiras pessoas a receber a nova formulação no NHS está Shirley Xerxes, de 89 anos, moradora de St Albans. Ela foi atendida no Centro de Câncer Mount Vernon, administrado pelo East and North Hertfordshire Teaching NHS Trust.

Após receber a injeção, Shirley destacou a diferença em relação ao tratamento intravenoso, afirmando que permaneceu na cadeira por apenas alguns minutos, em vez de uma hora ou mais. Segundo ela, a redução do tempo no hospital permitirá que tenha mais tempo para sua rotina, inclusive para cuidar do jardim.

O tratamento também será oferecido inicialmente por unidades como o University Hospitals Bristol and Weston NHS Foundation Trust e o East and North Hertfordshire Teaching NHS Trust, antes de sua utilização se expandir para outros serviços.

Uma segunda imunoterapia rápida disponível no NHS

A chegada do pembrolizumabe injetável amplia uma estratégia que o NHS começou a implementar em 2025 com o nivolumabe, outra imunoterapia que atua sobre a proteína PD-1.

A formulação subcutânea do nivolumabe foi autorizada pela Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido em abril de 2025 e pode ser administrada em aproximadamente três a cinco minutos, em vez dos 30 a 60 minutos necessários para a infusão intravenosa.

Pouco depois, o NHS iniciou a distribuição do tratamento, estimando que cerca de 1.200 pacientes por mês na Inglaterra poderiam se beneficiar da nova forma de administração. A versão injetável pode ser utilizada para 15 tipos de câncer.

Com o pembrolizumabe, o NHS amplia ainda mais o número de pacientes que podem receber imunoterapia em poucos minutos. A iniciativa faz parte de um esforço mais amplo para modernizar o tratamento oncológico, reduzir o tempo de permanência dos pacientes nos hospitais e aumentar a capacidade dos serviços de saúde.

A inovação não altera o princípio ativo nem significa que todos os pacientes poderão abandonar a infusão intravenosa. Segundo o NHS, pessoas que recebem o pembrolizumabe junto com outros medicamentos administrados por via intravenosa podem continuar precisando desse procedimento, dependendo da avaliação clínica.

A importância econômica do pembrolizumabe também ajuda a dimensionar o alcance da inovação. Comercializado como Keytruda, o medicamento gerou US$ 31,7 bilhões em vendas globais para a fabricante Merck em 2025, consolidando-se como um dos principais medicamentos contra o câncer no mundo.

A nova forma de administração, portanto, representa mais do que uma mudança na maneira de aplicar um medicamento: para milhares de pessoas que precisam enfrentar ciclos repetidos de tratamento, pode significar menos tempo dentro do hospital e mais tempo dedicado à vida fora dele.

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