Fumaça sobe nas proximidades do aeroporto de Sheremetyevo, em Moscou, após relatos de ataques com drones atribuídos à Ucrânia.

Relatos indicam que a Ucrânia teria utilizado balões meteorológicos para transportar aeronaves não tripuladas em direção a Moscou. Restrições no espaço aéreo provocaram atrasos e cancelamentos em diferentes regiões da Rússia, deixando milhares de passageiros retidos nos aeroportos.

Uma nova onda de ataques atribuídos à Ucrânia provocou grandes transtornos no transporte aéreo russo neste sábado (31). Relatos divulgados por canais militares e veículos de comunicação indicam que drones de ataque teriam sido transportados por balões meteorológicos em direção à região de Moscou, uma possível mudança na estratégia utilizada para atingir alvos em território russo.

Imagens que circulam nas redes sociais mostram o que aparenta ser um balão de grande altitude carregando um equipamento não tripulado suspenso por uma estrutura. Segundo os relatos, os balões seriam utilizados para levar os dispositivos até determinadas áreas antes de seu lançamento em direção aos alvos.

A suposta operação teria contribuído para aumentar a pressão sobre o sistema de defesa aérea russo e provocar restrições nas operações dos principais aeroportos da capital. Entretanto, não há confirmação independente de que todos os transtornos registrados tenham sido causados por drones transportados por balões. Ataques convencionais com aeronaves não tripuladas também foram relatados na região.

Quase mil voos afetados em diferentes regiões

Milhares de passageiros enfrentaram dificuldades para embarcar ou chegar aos seus destinos. Segundo informações divulgadas pela imprensa britânica, quase mil voos foram cancelados ou sofreram atrasos em diferentes aeroportos russos.

O aeroporto de Vnukovo, utilizado também por autoridades governamentais e delegações oficiais, registrou 119 atrasos e dez cancelamentos.

Em São Petersburgo, o aeroporto de Pulkovo contabilizou 138 voos com atrasos ou cancelamentos. Já em Novosibirsk, um dos principais centros de transporte aéreo da Sibéria, aproximadamente cem operações foram afetadas.

A situação também provocou filas e aglomerações no aeroporto internacional de Sheremetyevo, um dos mais movimentados da Rússia. Vídeos publicados nas redes sociais mostram passageiros aguardando informações sobre seus embarques e alterações nos horários dos voos.

Alguns viajantes relataram dificuldades para receber informações das companhias aéreas e das autoridades aeroportuárias. Em um dos registros divulgados, uma passageira de um voo da companhia Pobeda afirmou que havia crianças a bordo e que os passageiros estavam recebendo apenas água, sem alimentação.

Moscou enfrenta restrições recorrentes

Os aeroportos da capital russa vêm enfrentando interrupções frequentes desde que a Ucrânia intensificou suas operações com drones de longo alcance contra alvos em território russo.

As restrições temporárias de pousos e decolagens são adotadas pelas autoridades de aviação quando existe ameaça de ataques ou quando os sistemas de defesa aérea estão em operação. Essas medidas, conhecidas como plano de emergência para o tráfego aéreo, podem provocar o redirecionamento de aeronaves, cancelamentos e longos períodos de espera.

Em outubro, os aeroportos de Sheremetyevo, Vnukovo, Domodedovo e Zhukovsky já haviam registrado suspensões temporárias de operações em diferentes ocasiões.

A estratégia ucraniana também busca aumentar os custos econômicos e logísticos da guerra para Moscou, atingindo instalações militares, industriais e de infraestrutura. Em setembro, o presidente Volodymyr Zelensky havia advertido que o espaço aéreo russo poderia se tornar cada vez mais inseguro para a aviação civil.

Moscou afirma ter derrubado milhares de drones

Em meio à escalada dos ataques, o Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter interceptado ou destruído 2.690 drones ucranianos durante um período de aproximadamente dois dias e meio.

O número está entre os maiores totais divulgados pelas autoridades russas desde o início da guerra em grande escala, em fevereiro de 2022. Entretanto, trata-se de um balanço apresentado pelo próprio governo russo, sem verificação independente de todos os registros.

A Ucrânia, por sua vez, sustenta que suas operações são uma resposta à invasão russa e aos ataques contra cidades e infraestruturas ucranianas.

Reino Unido confronta Moscou durante reunião do G20

A escalada militar também provocou um novo confronto diplomático entre Londres e Moscou. Durante uma reunião de ministros das Relações Exteriores do G20, realizada em Atlanta, nos Estados Unidos, o secretário britânico de Relações Exteriores, Ed Miliband, confrontou publicamente o chanceler russo, Sergei Lavrov.

Miliband afirmou que a Rússia é a responsável pela agressão e acusou o governo de Vladimir Putin de continuar atacando a população civil ucraniana.

O ministro britânico também mencionou um ataque russo contra uma estação ferroviária em Dnipro, na Ucrânia, que teria deixado 15 mortos. Durante sua intervenção, declarou que Putin não está vencendo a guerra e pediu que Lavrov transmitisse essa mensagem ao presidente russo.

A reunião terminou sem a tradicional fotografia coletiva dos ministros, depois que Miliband e outros representantes europeus se recusaram a aparecer ao lado do chanceler russo.

Enquanto os ataques e as operações de defesa aérea continuam, as interrupções no transporte demonstram como a guerra ultrapassa cada vez mais as linhas de frente e afeta diretamente a infraestrutura e a rotina da população russa.

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