Hamam al-Hammami, cidadão de Omã, foi identificado como o copiloto acusado de atacar o comandante do voo FZ1073 com um machado de emergência e tentar assumir o controle da aeronave. Ele havia estudado Gestão de Aviação a distância em uma universidade britânica e, segundo fontes ligadas à investigação, já havia sido impedido de pilotar em Omã por preocupações relacionadas a supostas ideias extremistas.

Um dos episódios mais graves registrados recentemente na aviação comercial ocorreu a bordo do voo FZ1073 da Flydubai, que seguia dos Emirados Árabes Unidos para Tel Aviv. Segundo as autoridades dos Emirados, o copiloto Hamam al-Hammami atacou o comandante indiano Smit Machchhar dentro da cabine de comando utilizando um machado de emergência e tentou assumir o controle da aeronave.

O incidente provocou uma queda abrupta de altitude do avião, que transportava 182 pessoas entre passageiros e tripulantes. A aeronave acabou realizando um pouso de emergência em Tabuk, na Arábia Saudita, onde o suspeito foi detido.

Ataque dentro da cabine provocou queda repentina

De acordo com as informações divulgadas pelas autoridades dos Emirados, al-Hammami atacou o comandante durante o voo e tentou assumir o controle da aeronave. O avião entrou em uma descida acentuada, mas a situação foi contida antes que ocorresse uma tragédia.

Machchhar, mesmo ferido, conseguiu abrir a porta da cabine, permitindo que integrantes da tripulação e passageiros interviessem. Entre eles estavam pilotos que viajavam como passageiros e ajudaram a controlar o agressor e a estabilizar a aeronave.

O avião foi posteriormente desviado para a Arábia Saudita e pousou em segurança no aeroporto de Tabuk. O copiloto foi detido pelas autoridades sauditas e posteriormente transferido para os Emirados Árabes Unidos.

A Procuradoria-Geral dos Emirados classificou oficialmente o episódio como uma tentativa de ataque terrorista, mas informou que a investigação continua para esclarecer todas as circunstâncias, as motivações e possíveis conexões relacionadas ao caso.

Quem é Hamam al-Hammami?

A identificação do copiloto foi divulgada por fontes com conhecimento da investigação e posteriormente repercutida por veículos internacionais. Hamam al-Hammami é cidadão de Omã e tinha experiência profissional na aviação antes de ingressar na Flydubai.

Um dos elementos que chamou a atenção dos investigadores foi seu histórico profissional no país de origem. Segundo fontes citadas pela imprensa internacional, ele havia sido impedido de exercer funções de piloto em Omã depois que surgiram preocupações relacionadas às suas supostas ideias extremistas. O caso teria ocorrido durante seu período de trabalho na Oman Air.

Ainda não está claro, porém, em que medida essas informações foram consideradas durante o processo de contratação pela Flydubai. Essa questão passou a fazer parte da investigação sobre os mecanismos de avaliação e segurança aplicados a profissionais autorizados a ocupar posições dentro da cabine de comando.

Estudo no Reino Unido não envolveu formação como piloto

Outro aspecto revelado após a identificação do copiloto foi sua ligação acadêmica com o Reino Unido.

A Buckinghamshire New University confirmou que Hamam al-Hammami concluiu um curso a distância relacionado à Gestão de Aviação. Segundo a própria instituição, ele se formou em 2023, após três anos de estudos.

A universidade, entretanto, fez uma ressalva importante: al-Hammami não realizou formação de piloto na instituição. O curso estava relacionado à gestão e à administração da indústria da aviação, incluindo áreas como logística e segurança do setor.

A informação é relevante porque algumas versões iniciais da história poderiam levar à interpretação de que o suspeito havia recebido treinamento de voo na universidade britânica, o que não corresponde ao esclarecimento feito pela própria instituição.

Investigação tenta determinar se ele agiu sozinho

As autoridades agora investigam as circunstâncias que permitiram que al-Hammami estivesse na cabine de um voo internacional com destino a Israel, além de tentar determinar suas motivações e possíveis conexões.

Uma das linhas de investigação busca esclarecer se o copiloto agiu sozinho ou se havia algum tipo de ligação com outras pessoas ou organizações. Até o momento, não há confirmação pública de que ele tenha atuado sob ordens de um grupo específico.

Também foram levantadas questões sobre seu histórico profissional e sobre os procedimentos utilizados para verificar antecedentes e possíveis riscos antes de sua contratação pela companhia aérea.

O caso ganhou ainda maior repercussão devido à rota do voo. O avião seguia para Tel Aviv e transportava uma maioria de passageiros israelenses, enquanto o suspeito era cidadão de Omã, país que não mantém relações diplomáticas com Israel.

Flydubai suspende voos para Tel Aviv

Após o episódio, a Flydubai suspendeu temporariamente suas operações para o aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv, enquanto as autoridades avançam nas investigações.

O diretor executivo da companhia, Ghaith Al Ghaith, agradeceu às autoridades sauditas e dos Emirados pela resposta ao incidente e afirmou que a empresa está colaborando com a investigação oficial.

“Há muitas perguntas sobre o que aconteceu a bordo do voo FZ1073. Uma investigação oficial abrangente está em andamento”, afirmou o executivo.

Enquanto as autoridades analisam evidências físicas e digitais e tentam estabelecer a motivação do ataque, o episódio também levanta novos questionamentos sobre os processos de avaliação de profissionais da aviação e os mecanismos de segurança destinados a impedir que pessoas consideradas potencialmente perigosas tenham acesso à cabine de comando.

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