Essex County Council, controlado pelo Reform UK, iniciou a Operação Vanguard com seis agentes privados que patrulharão Braintree, Colchester e Chelmsford durante três meses. A polícia afirma que as três localidades são seguras e registram menos crimes do que há três anos.
Um conselho de Essex controlado pelo Reform UK iniciou nesta segunda-feira, 14 de setembro, uma controversa operação de segurança privada nos centros de Braintree, Colchester e Chelmsford, em meio às preocupações manifestadas por alguns moradores sobre a presença de grupos de homens solicitantes de asilo provenientes de um centro de acolhimento localizado nas proximidades.
A iniciativa, denominada Operação Vanguard, prevê o emprego de seis agentes de segurança privada, dois em cada localidade, que realizarão patrulhas sete dias por semana, das 10h às 18h. O programa terá inicialmente duração de três meses.
A operação não é financiada diretamente pelo Reform UK como partido político. Os recursos vêm do Essex County Council, que aprovou a utilização de até £150 mil de um fundo destinado à inovação e à melhoria da comunidade. O custo estimado do contrato para os três meses é de aproximadamente £118 mil, mais impostos.
Por que os agentes foram mobilizados?
O conselho afirma que a decisão responde às preocupações de moradores com a presença e a concentração de homens alojados no centro de acolhimento para solicitantes de asilo de Wethersfield, uma antiga base da Força Aérea Real britânica.
Os moradores do centro são regularmente transportados em micro-ônibus para localidades próximas, entre elas Braintree, Colchester e Chelmsford. Segundo o conselho, o aumento previsto da capacidade da unidade ampliou as preocupações sobre o impacto desses deslocamentos nos espaços públicos.
O líder do Essex County Council, Peter Harris, do Reform UK, defendeu a operação como uma medida preventiva diante das preocupações da população, especialmente entre mulheres e meninas.
O conselho afirma que o número de pessoas alojadas em Wethersfield deverá aumentar de uma capacidade operacional de aproximadamente 800 para 1.245 vagas. O Ministério do Interior confirmou que pretende utilizar as 1.245 vagas disponíveis durante todo o ano.
A instalação começou a funcionar como centro de acolhimento para solicitantes de asilo em 2023 e atualmente é destinada a homens adultos desacompanhados que aguardam uma decisão sobre seus pedidos.
Polícia questiona aumento da sensação de insegurança
Um dos aspectos mais controversos do programa é a diferença entre a justificativa política apresentada para a medida e os dados apontados pela polícia.
A Essex Police afirmou que os centros de Braintree, Colchester e Chelmsford são locais seguros e que as três cidades registram menos crimes do que há três anos.
A corporação também informou que suas equipes de policiamento comunitário realizam patrulhas regulares nos centros urbanos, inclusive nos horários considerados importantes para proporcionar maior sensação de segurança à população e prevenir crimes ou comportamentos antissociais.
A polícia não respaldou publicamente a afirmação de que a chegada de solicitantes de asilo tenha provocado um aumento da criminalidade nessas localidades.
Além disso, um relatório do próprio conselho utilizado para justificar a Operação Vanguard reconhece que o argumento está relacionado, em grande medida, à percepção de insegurança e a evidências anedóticas sobre o temor provocado pela presença de grupos de solicitantes de asilo, e não a uma demonstração de que essas pessoas tenham causado um aumento dos crimes.
Agentes não terão poderes policiais
Outro ponto que gerou críticas é a autoridade efetiva que os agentes privados terão durante as patrulhas.
O próprio conselho esclareceu que os seguranças não terão poderes além daqueles de qualquer cidadão comum. Sua função será manter uma presença visível, transmitir maior sensação de segurança aos moradores e comunicar às autoridades qualquer ocorrência que exija intervenção policial.
Qualquer medida relacionada à aplicação da lei continuará sob responsabilidade da Essex Police. Os agentes estarão uniformizados e deverão ser facilmente identificáveis como funcionários de uma empresa de segurança privada, sem utilizar elementos que possam fazê-los ser confundidos com policiais.
O conselho também confirmou que os profissionais serão autorizados pela Security Industry Authority, órgão responsável pela regulamentação de determinadas atividades de segurança privada no Reino Unido.
Críticas ao uso de dinheiro público
A medida provocou críticas de representantes da oposição, que acusam o conselho de utilizar recursos públicos para responder a uma percepção de insegurança que, segundo os dados disponíveis, não estaria respaldada por um aumento da criminalidade relacionado aos solicitantes de asilo.
O vereador trabalhista Lee Scordis questionou o gasto e afirmou à agência Press Association que tanto o relatório do conselho quanto as informações policiais indicam que não há evidências de um aumento da criminalidade provocado por solicitantes de asilo em Colchester.
Scordis também questionou quais funções concretas serão desempenhadas pelos agentes e se o conselho consultou adequadamente a polícia antes de anunciar o programa.
Os críticos também alertaram para o risco de que a presença de agentes de segurança em áreas frequentadas por solicitantes de asilo contribua para aumentar as tensões entre diferentes grupos da comunidade.
Conselho defende caráter preventivo da operação
O Essex County Council afirma que o objetivo da Operação Vanguard não é substituir a polícia nem perseguir solicitantes de asilo, mas aumentar a sensação de segurança da população e obter informações que permitam avaliar se as localidades precisam de recursos adicionais.
O conselho insiste que a operação não permitirá a criação de perfis baseados na origem ou na situação migratória das pessoas. A função dos agentes será oferecer uma presença visível a todos que estiverem legalmente nas áreas patrulhadas.
O próprio Ministério do Interior afirma que Wethersfield conta com medidas permanentes de segurança e que trabalha em conjunto com a Essex Police e as autoridades locais para administrar possíveis riscos relacionados à proteção e à segurança.
A instalação também realiza verificações de segurança das pessoas que ingressam no sistema de acolhimento, incluindo consultas a bases de dados relacionadas à imigração, segurança e antecedentes criminais.
Wethersfield está no centro do conflito
A controvérsia ocorre depois que o governo britânico anunciou, em junho, que aumentaria a capacidade operacional de Wethersfield de 800 para 1.245 pessoas e que o centro continuaria funcionando depois de abril de 2027.
O conselho de Essex há muito tempo se opõe à utilização da antiga base militar para acolher solicitantes de asilo. A autoridade local argumenta que a localização rural da instalação e a falta de infraestrutura adequada exercem pressão sobre as comunidades próximas.
O governo, por sua vez, considera que instalações desse tipo ajudam a reduzir a dependência dos hotéis utilizados para acomodar pessoas que aguardam uma decisão sobre seus pedidos de asilo.
Com a Operação Vanguard, o conflito entre o conselho controlado pelo Reform UK e o governo central ganha agora uma dimensão visível nas ruas. Durante os próximos três meses, seis agentes privados patrulharão três das principais localidades próximas ao centro de Wethersfield, enquanto as autoridades deverão avaliar se a iniciativa consegue reduzir a percepção de insegurança ou se, como afirmam seus críticos, acaba aprofundando as tensões em torno da imigração.