Às vésperas de períodos críticos de alta demanda, o setor aéreo europeu intensificou a pressão sobre autoridades do Espaço Schengen diante do risco crescente de colapso operacional nos aeroportos. Companhias aéreas e operadores alertam para uma possível “tempestade perfeita”, com impacto direto no controle de fronteiras, especialmente durante a Páscoa e o pico do verão europeu, entre julho e agosto.

No centro das preocupações está a implementação do Entry/Exit System (EES), novo sistema digital de registro de entradas e saídas de viajantes não europeus. Embora concebido para modernizar e reforçar a segurança nas fronteiras, o EES enfrenta críticas quanto à sua prontidão operacional. O setor teme que falhas técnicas e a adaptação inicial provoquem filas prolongadas, atrasos e desorganização nos principais hubs do continente.

Diante desse cenário, entidades como a Airlines for Europe (A4E) e a ACI Europe defendem que a Comissão Europeia conceda maior flexibilidade na aplicação do sistema. Em particular, solicitam a possibilidade de suspensão temporária do EES até o final de setembro de 2026, caso a operação enfrente dificuldades críticas durante os meses de maior movimento.

Segundo as associações, essa margem de manobra é essencial para evitar interrupções severas no fluxo de passageiros e garantir uma transição mais segura para o novo modelo. A preocupação não se limita ao verão: o feriado da Páscoa já é visto como um primeiro grande teste para a infraestrutura aeroportuária sob o novo sistema.

Atualmente, o tráfego aéreo europeu segue elevado e sob pressão, com aeroportos operando próximos da capacidade máxima. Sem ajustes na implementação do EES, o setor avalia que o risco de congestionamentos generalizados e impactos em cadeia nas operações permanece alto, podendo comprometer a experiência de milhões de passageiros nos próximos meses.

O setor aéreo europeu intensifica as críticas à infraestrutura dos aeroportos, apontando falhas que podem agravar ainda mais o cenário de pressão nas fronteiras. Entre os principais problemas está a “escassez persistente e estrutural” de agentes de controle migratório, considerada insuficiente para lidar com o aumento do fluxo de passageiros nos países do Espaço Schengen. A situação é agravada por falhas técnicas recorrentes, dificuldades de manutenção em quiosques de autoatendimento e o uso ainda limitado dos portões automatizados de controle de fronteira.

Além disso, há dúvidas relevantes sobre a confiabilidade da tecnologia associada ao Entry/Exit System (EES), especialmente em um momento de implementação gradual. Na avaliação de representantes da indústria, o aplicativo de pré-registro do sistema ainda apresenta adesão muito restrita entre os países, o que reduz sua eficácia como ferramenta para agilizar processos.

Diante desse quadro, companhias aéreas e aeroportos já se preparam para um agravamento nas próximas semanas. A Airlines for Europe (A4E) alerta que a combinação entre exigências completas de registro e menor flexibilidade operacional pode gerar uma pressão “sem precedentes” sobre os controles de fronteira, elevando o risco de filas extensas e atrasos generalizados.

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