Por Maria Victoria Cristancho

Com o fim do confinamento pela pandemia de Covid-19, houve também um aumento da violência, especialmente na capital e com as chamadas armas brancas, que são facas, facões e instrumentos cortantes. O alerta é da Polícia Metropolitana.

Entre maio e junho houve graves incidentes em Greenwich e Hyde Park, com cenas de confronto entre jovens, muitos menores de 18 anos. Há várias organizações e profissionais que estão trabalhando para resgatar os jovens envolvidos em gangues. Um deles é o colombiano Juan Lopez, representante da organização Steel Warriors, que trabalha com a polícia e a comunidade na coleta de armas para reciclar o metal na construção de academias de ginástica ao ar livre em parques londrinos.

Notícias em Português – A situação de violência na capital é tão ruim quanto a mídia diz ser?

Juan López – Sim, é um problema que, eu diria, está quase no mesmo nível que a pandemia. O problema para os jovens agora é o uso de “armas afiadas”, que é algo que está sendo visto com mais frequência nas comunidades da cidade de Londres.

Como você começou a atuar com este tema da violência?

Trabalhei com o Exército Britânico e minha última missão foi como instrutor de recrutamento e essa foi a primeira experiência que tive trabalhando com jovens que vieram de um estilo de vida onde estão envolvidos no crime e em gangues, que é o que resulta na violência que vemos nessas comunidades. Quando saí das forças armadas, isso despertou uma paixão. Desde que voltei a Londres após meu serviço militar, me envolvi no trabalho com os jovens como mentor, utilizando o treinamento físico como meio de ajudá-los a se desenvolverem como pessoas. Por esse trabalho identifiquei que o grupo mais vulnerável em nossa sociedade são os jovens que crescem na pobreza e foi aí que me concentrei em compreender os motivos e a mentalidade que os levam a entrar em gangues. Foi-me dada a oportunidade de trabalhar com organizações como a polícia e os Steel Warriors, que é onde eu estou agora. O foco de nosso trabalho é coletar todas as armas brancas e ajudar a juventude ao longo do caminho. O objetivo é reciclar o metal de todas as armas de facas, facões, machados ou espadas para fazer barras de ginástica e outros equipamentos para academias ao ar livre. Até agora, construímos quatro academias e estes ginásios são acessíveis a todos.

Armas brancas coletadas pela polícia são recicladas para virar equipamentos de ginástica para parques e praças

Quantas armas afiadas você já conseguiu coletar?

Desde que começamos, coletamos aproximadamente 15 toneladas.

Este trabalho pode resolver a crise de violência juvenil?

O problema é profundo. Esta é uma iniciativa para ajudar os jovens e dar-lhes a confiança ou a crença de que eles têm as habilidades necessárias para alcançar as reais ambições de trabalho. Muitos jovens sofrem com isso devido a diferentes circunstâncias econômicas, pressões sociais, redes sociais, música ou o ambiente no qual crescem. Dizer que nosso projeto vai ser a única opção ou solução não seria dizer toda a verdade. Requer diferentes aspectos, como o apoio da comunidade, do governo e das escolas.

Que recomendações você faz para evitar este mundo de violência?

É difícil porque quando um jovem atinge certa idade, ele quer ser autônomo e independente. É melhor não lutar com jovens que estão isolados, mas ajudá-los e dar-lhes o apoio necessário. O mais importante é ajudá-los a ver como articular seus pensamentos, suas emoções e suas ambições e, consequentemente, como ver um caminho.

Juan Lopez trabalha com jovens londrinos: seis mortes e 36 feridos nos primeiros quatro meses de 2021

Mais homicídios do que em 2008

O chefe do departamento de violência da Polícia Metropolitana Alex Murray alertou que Londres pode estar no caminho para seu pior ano de homicídios de jovens desde 2008.

Os dados da Polícia Metropolitana revelaram que, embora o número total de esfaqueamentos tenha caído quase um terço no início de 2021 em relação ao ano passado, os ataques que ocorreram no primeiro semestre foram mais graves, com mais seis mortos e 36 feridos.

Até agora, o número de assassinatos é 28% superior do que no ano passado. De janeiro a abril de 2020, em meio à quarentena nacional do coronavírus, houve 21 esfaqueamentos fatais em Londres, de acordo com estatísticas obtidas sob a Lei de Liberdade de Informação. No mesmo período em 2021, houve 27 pessoas mortas em ataques com facas na capital.

Isto significa que das 4.432 vítimas de crimes com facas nos primeiros quatro meses de 2020, 0,5% foram fatais, enquanto 0,8% das 3.183 vítimas de crimes com facas nos primeiros quatro meses de 2021 foram mortas.

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