A monarquia britânica prepara uma nova etapa de modernização do Palácio de Buckingham, com investimentos destinados a atualizar infraestruturas antigas, reforçar a segurança digital e tornar o edifício mais eficiente. A iniciativa ocorre em um momento de crescente preocupação no Reino Unido com ameaças cibernéticas contra instituições públicas e organizações consideradas estratégicas.
A preocupação ganhou força após o ataque registrado em outubro de 2023 contra o site oficial da família real britânica. A página ficou indisponível por cerca de uma hora e meia em consequência de um ataque de negação de serviço. Um grupo de hackers pró-Rússia reivindicou a ação, embora fontes ligadas ao Palácio tenham indicado na época que não havia confirmação independente sobre a autoria.
O episódio não resultou em invasão dos sistemas internos nem em acesso ao conteúdo do site, mas serviu como alerta sobre a necessidade de fortalecer as estruturas digitais associadas à monarquia.
Buckingham passa por uma ampla modernização
A segurança digital faz parte de um processo muito mais amplo de renovação do Palácio de Buckingham. O projeto, iniciado em 2017, foi planejado para durar dez anos e envolve a substituição de sistemas essenciais que não recebiam uma atualização completa desde a década de 1950.
As obras incluem a renovação das instalações elétricas, tubulações, sistemas de aquecimento, caldeiras, painéis elétricos e reservatórios de água. O objetivo é reduzir riscos de incêndios e inundações, melhorar a eficiência energética e preparar o edifício para as próximas décadas.
O programa de renovação tem um custo estimado de £369 milhões e é financiado por meio de um aumento temporário da Subvenção Soberana, o mecanismo utilizado pelo governo britânico para financiar as funções oficiais do monarca e a manutenção dos palácios reais ocupados.
A previsão oficial é que as obras sejam concluídas em 2027.
Financiamento da monarquia será reajustado
Apesar de o financiamento público da monarquia ter aumentado nos últimos anos para permitir a conclusão das obras, o governo britânico já definiu uma redução da Subvenção Soberana depois do término do projeto.
Para o exercício de 2026-27, o valor foi estabelecido em £137,9 milhões. A partir de 2027-28, a previsão é que o montante seja reajustado para £99,9 milhões por ano, conforme a revisão realizada pelos administradores da Subvenção Soberana.
A mudança deverá ser formalizada por meio de legislação, já que as regras atuais impedem que a subvenção diminua de um ano para o outro. O novo modelo pretende adequar o financiamento às necessidades da Casa Real depois da conclusão das obras de Buckingham.
Carlos III e Camila não voltarão a morar em Buckingham
A modernização do palácio também deverá marcar uma mudança histórica na relação da família real com o edifício.
Carlos III e a rainha Camila decidiram que não transformarão Buckingham em sua residência particular depois da conclusão das obras. O casal continuará vivendo em Clarence House, em Londres, onde já reside desde antes da ascensão de Carlos ao trono.
A decisão foi apresentada pela Casa Real como uma forma de preservar Buckingham como centro cerimonial da monarquia, principal local de trabalho da instituição e patrimônio histórico nacional, ao mesmo tempo em que se ampliam as possibilidades de acesso do público.
Buckingham continuará sendo utilizado para recepções oficiais, cerimônias, reuniões e compromissos diplomáticos. Carlos III e Camila também terão acesso a espaços privados no palácio para períodos de descanso durante o dia e eventuais estadias durante a noite, mas o edifício deixará de funcionar como sua residência principal.
Um novo papel para um símbolo da monarquia britânica
Buckingham Palace tornou-se residência real em 1837, quando a rainha Vitória subiu ao trono, e desde então passou a ocupar uma posição central na vida institucional britânica. Com a decisão de Carlos III e Camila, porém, o palácio deverá assumir cada vez mais uma função cerimonial e pública.
A renovação da infraestrutura, o reforço das medidas de segurança e a possibilidade de ampliar o acesso dos visitantes fazem parte de uma transformação que pretende preparar Buckingham para as próximas décadas.
Mais do que uma reforma estrutural, a mudança representa uma adaptação da monarquia britânica a uma nova realidade: um palácio histórico que continuará sendo o coração institucional da Coroa, mas que terá uma presença residencial privada muito menor.