Investigação identificou uma célula criminosa que atuava dentro do aeroporto para facilitar a retirada de drogas transportadas em voos da América do Sul. Os quatro detidos estão em prisão preventiva.
A Polícia Judiciária (PJ) de Portugal deteve quatro pessoas suspeitas de integrar uma estrutura criminosa que atuava no interior do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, facilitando a retirada de grandes quantidades de cocaína transportadas em voos provenientes da América do Sul. A operação, anunciada na quarta-feira, 4 de novembro, resultou na apreensão de aproximadamente 117 quilos da droga, três veículos e cerca de 40 mil euros em dinheiro.
A ação foi conduzida pela Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes, após uma investigação que já durava cerca de dois meses. Segundo a PJ, os suspeitos integravam uma célula responsável por uma etapa estratégica do esquema: permitir que a cocaína introduzida em Portugal por via aérea fosse retirada das instalações aeroportuárias e encaminhada posteriormente para o mercado ilegal.
As autoridades acreditam que o grupo mantinha ligações com organizações criminosas nacionais e internacionais, desempenhando uma função de conexão entre a chegada dos carregamentos e sua distribuição. A investigação procura agora esclarecer a dimensão da estrutura, identificar possíveis participantes e determinar o destino que seria dado à droga apreendida.
Quatro suspeitos permanecem presos
Após as detenções, os quatro investigados foram apresentados à autoridade judicial para o primeiro interrogatório. O tribunal determinou a aplicação da medida de coação de prisão preventiva, que prevê a permanência dos suspeitos na prisão enquanto o processo continua, nos termos definidos pela Justiça.
A Polícia Judiciária não divulgou a identidade dos detidos nem detalhou publicamente as funções individuais que cada um desempenhava na estrutura. Também não confirmou que todos fossem funcionários do aeroporto ou de empresas de assistência em terra.
O inquérito está sob responsabilidade do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, e as diligências continuam para apurar a extensão das atividades criminosas.
Aeroporto de Lisboa sob atenção das autoridades
O caso reforça a preocupação das autoridades portuguesas com a utilização de aeroportos internacionais como pontos de entrada e circulação de drogas destinadas aos mercados europeus.
A atuação de grupos que conseguem facilitar a retirada de entorpecentes de áreas aeroportuárias representa um desafio adicional para os mecanismos de fiscalização, especialmente quando envolve possíveis colaboradores com acesso a instalações e procedimentos operacionais.
Em setembro deste ano, outro caso envolvendo o Aeroporto Humberto Delgado também chamou a atenção das autoridades. Na ocasião, dois funcionários de uma empresa de assistência em terra foram detidos sob suspeita de colaborar com uma rede internacional de tráfico, após a retirada de quatro malas contendo aproximadamente 110 quilos de cocaína de uma aeronave procedente do Brasil.
Embora os dois episódios tenham ocorrido no mesmo aeroporto e envolvam suspeitas de atuação de estruturas criminosas, não há confirmação de que façam parte da mesma investigação ou rede.
A Polícia Judiciária continua trabalhando para identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer o funcionamento da estrutura desmantelada na operação de novembro.