Uma investigação da Polícia de Lancashire desarticulou duas organizações criminosas responsáveis pela distribuição de cocaína e heroína em Preston, na Inglaterra. Ao todo, 27 pessoas foram processadas, e as condenações somam mais de 100 anos de prisão, incluindo penas suspensas. Durante a operação, os policiais apreenderam drogas, cerca de £40 mil em dinheiro, telefones celulares e equipamentos utilizados no tráfico.

Operação da Polícia de Lancashire desarticulou duas organizações criminosas que mantinham diversas redes de distribuição de drogas. Ao todo, 27 pessoas foram processadas, e 24 receberam penas de prisão, incluindo sentenças suspensas.

Duas organizações criminosas responsáveis pela distribuição de cocaína e heroína em Preston, no noroeste da Inglaterra, foram desarticuladas após uma investigação que resultou em penas de prisão que, somadas, ultrapassam 100 anos. A operação levou ao processamento de 27 pessoas e à condenação de integrantes envolvidos em diferentes funções dentro das redes de tráfico, desde os responsáveis pelo abastecimento até vendedores e intermediários.

A investigação, denominada Operação Tumbler, foi conduzida pelo Departamento de Inteligência de Preston como parte da Operação Warrior, iniciativa da Polícia de Lancashire voltada ao combate ao crime organizado. As atividades criminosas foram identificadas entre agosto de 2023 e junho de 2025, período em que os grupos utilizaram diversas linhas telefônicas para comercializar drogas na cidade e em áreas próximas.

Entre os principais responsáveis estavam Karl Brown, de 40 anos, apontado como integrante central de uma organização criminosa baseada no bairro de Ribbleton, e Efosa Gelmini, de 23 anos, residente em Manchester, que atuava como fornecedor de cocaína e heroína para diferentes grupos que operavam em Preston.

Nove linhas telefônicas abasteciam o tráfico

Durante a investigação, os policiais identificaram pelo menos nove linhas utilizadas para organizar a venda de drogas. Os grupos empregavam nomes como Batman, Bigman, Omar, Kyle, Ironman, Slim, Nigel, Ed e Salford para identificar os diferentes canais de distribuição.

No caso da organização liderada por Karl Brown, mensagens eram enviadas aos clientes diversas vezes ao longo de um período de 24 horas, indicando uma operação contínua de comercialização.

Uma das mensagens divulgadas pela polícia, enviada por meio da linha Bigman, anunciava a disponibilidade de cocaína e heroína e utilizava expressões próprias do comércio ilegal para atrair compradores e promover a qualidade dos produtos.

Segundo os investigadores, Brown utilizava os lucros provenientes do tráfico para financiar viagens internacionais, incluindo destinos como Brasil, Turquia e Emirados Árabes Unidos. Ele também era responsável pela administração da linha Kyle.

Já Efosa Gelmini atuava como fornecedor de drogas para diferentes organizações criminosas de Preston e mantinha uma linha própria, denominada Ace, que operava em Manchester. As investigações identificaram deslocamentos frequentes entre as duas cidades para entregar encomendas, além de contatos regulares com responsáveis por outras linhas de distribuição.

Dinheiro, drogas e equipamentos apreendidos

Em 13 de junho de 2025, policiais realizaram buscas na residência de Karl Brown e apreenderam aproximadamente £40 mil em dinheiro, além de um telefone utilizado para administrar a linha Kyle.

Em outro endereço associado a ele, foram encontrados grandes volumes de drogas classificadas como de Classe A, embalagens individuais escondidas no sótão, sob o isolamento térmico, uma prensa utilizada para compactar cocaína e um facão.

Na residência de Gelmini, os agentes também localizaram porções de drogas e diversos aparelhos telefônicos.

As buscas foram realizadas em diferentes endereços de Preston durante junho de 2025. A operação resultou na apreensão de drogas, dinheiro e equipamentos relacionados à atividade criminosa, além da identificação de pessoas que desempenhavam diferentes funções nas organizações.

Mais de 100 anos em penas somadas

Os processos e as audiências de sentença ocorreram ao longo de aproximadamente dez meses. Entre os principais condenados, Karl Brown recebeu nove anos e seis meses de prisão, enquanto Efosa Gelmini foi condenado a nove anos.

Outros integrantes receberam penas expressivas. Nicky Appleton foi condenado a nove anos e oito meses; Denis Fisher, a seis anos e nove meses; Marian Schiopu, a seis anos e três meses; e Matthew Chambers, a seis anos de prisão.

Também houve condenações de outros envolvidos, com penas que variaram entre três anos e seis meses e seis anos e nove meses. Cinco adultos receberam penas de dois anos de prisão, suspensas por dois anos, enquanto três adolescentes, cujas identidades não podem ser divulgadas por razões legais, receberam medidas de reabilitação juvenil.

A polícia informou que 24 integrantes receberam penas de prisão, incluindo as sentenças suspensas, totalizando mais de 100 anos. Outros dois envolvidos também foram condenados: Tracey Hankin recebeu dois anos e quatro meses de prisão por participação no fornecimento de drogas de Classe A, enquanto Stuart Farnworth foi condenado a 18 meses por auxiliar uma organização criminosa.

O inspetor de polícia Richard Clancy afirmou que os grupos contribuíram para ampliar a distribuição ilegal de cocaína e heroína nas comunidades locais. Segundo ele, a investigação permitiu atingir diferentes níveis das organizações, desde seus responsáveis até as pessoas envolvidas na comercialização das drogas.

O que são as redes County Lines?

O caso de Preston também evidencia o funcionamento das chamadas county lines, expressão utilizada no Reino Unido para descrever redes de distribuição de drogas que conectam centros urbanos a outras cidades e localidades por meio de linhas telefônicas específicas.

Essas organizações utilizam celulares para receber pedidos, coordenar entregas e manter contato com compradores. Em muitos casos, recrutam ou exploram crianças, adolescentes e adultos em situação de vulnerabilidade para transportar drogas, receber pagamentos ou realizar vendas.

O problema é considerado uma das prioridades das autoridades britânicas no combate ao crime organizado, especialmente pelos riscos de violência, exploração e envolvimento de menores em atividades criminosas.

Segundo dados divulgados pelo Ministério do Interior britânico em julho de 2026, o Programa Nacional de Combate às County Lines encerrou um número recorde de 2.833 linhas de distribuição durante o ano anterior. As ações também resultaram em 7.381 prisões e na apreensão de 1.497 armas brancas.

A Polícia de Lancashire informou que continuará trabalhando para identificar e desarticular organizações criminosas envolvidas no tráfico de drogas em diferentes regiões do condado.

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