Fenômeno atmosférico poderá alterar a circulação dos ventos no Hemisfério Norte e favorecer episódios de frio na Europa. Cientistas alertam, porém, que ainda não é possível prever quando ou com que intensidade os efeitos chegarão ao Reino Unido.
Os moradores de Londres poderão enfrentar mudanças nas condições meteorológicas nas próximas semanas, em meio a previsões que apontam para um possível enfraquecimento excepcionalmente precoce do vórtice polar. O fenômeno, que mantém uma grande massa de ar frio circulando ao redor do Ártico, está sendo acompanhado por cientistas devido à possibilidade de uma alteração significativa em sua intensidade já no início de novembro.
A preocupação aumentou depois que modelos meteorológicos passaram a indicar uma possível perturbação atmosférica de grandes proporções. Caso se confirme, o fenômeno poderá influenciar a corrente de jato, uma faixa de ventos de alta altitude que ajuda a orientar os sistemas meteorológicos e a distribuição de massas de ar pelo planeta.
Uma alteração nessa circulação pode favorecer o deslocamento de ar frio do Ártico em direção a latitudes mais baixas, incluindo partes da Europa. Isso aumenta a possibilidade de episódios de queda acentuada das temperaturas, embora não signifique que uma onda de frio ou uma sequência de nevascas esteja confirmada para Londres.
Cientistas acompanham possível evento histórico
O pesquisador Judah Cohen, especialista em ciências atmosféricas e ambientais ligado ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), afirmou à Fox Weather que os modelos apontam para uma possível perturbação do vórtice polar em uma época excepcionalmente antecipada.
Segundo Cohen, o episódio poderá estar entre os maiores e mais precoces já registrados. A previsão, entretanto, ainda envolve incertezas, especialmente em relação à intensidade do fenômeno e à forma como seus efeitos poderão alcançar a superfície.
Um dos cenários acompanhados pelos especialistas é o chamado aquecimento súbito estratosférico. Esse processo ocorre quando a temperatura da estratosfera, camada da atmosfera situada acima da troposfera, aumenta rapidamente. Em determinados casos, o aquecimento enfraquece ou desloca o vórtice polar, alterando também os padrões de circulação atmosférica.
Quando essas mudanças se propagam para as camadas mais baixas da atmosfera, podem favorecer períodos de frio em regiões da Europa, da América do Norte e da Ásia. No entanto, nem todo enfraquecimento do vórtice provoca uma onda de frio, e os efeitos variam de acordo com a configuração dos sistemas meteorológicos.
Qual poderá ser o impacto no Reino Unido?
O Met Office, serviço meteorológico britânico, explica que o El Niño pode influenciar indiretamente o clima do Reino Unido. Em geral, o fenômeno está associado a uma maior possibilidade de condições amenas, úmidas e ventosas no início do inverno, enquanto períodos mais frios podem se tornar mais prováveis na fase final da estação.
Uma avaliação do governo britânico também aponta que, entre outubro e dezembro de 2026, existe uma probabilidade ligeiramente maior de ventos de oeste mais intensos, sistemas de baixa pressão, tempestades e chuvas fortes. Para o início de 2027, os modelos indicam uma possibilidade um pouco maior de ventos de leste e norte, que podem favorecer episódios de queda brusca das temperaturas.
Essas tendências, porém, não permitem determinar antecipadamente as condições de uma cidade específica. Portanto, ainda não há confirmação de que Londres enfrentará temperaturas congelantes em novembro.
El Niño aumenta a atenção dos meteorologistas
Outro fator que contribui para o acompanhamento das previsões é o fortalecimento do El Niño no Oceano Pacífico. O fenômeno climático, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico equatorial, altera padrões de circulação atmosférica e pode influenciar o regime de chuvas e temperaturas em diferentes partes do mundo.
O Met Office considera que o episódio em desenvolvimento poderá ser excepcionalmente intenso. Ainda assim, ressalta que os efeitos sobre o Reino Unido são menos diretos e dependem da interação com outros fatores climáticos.
A combinação entre um El Niño forte e uma possível perturbação precoce do vórtice polar mantém os meteorologistas atentos à evolução do inverno europeu. Um dos precedentes frequentemente lembrados é a onda de frio de 2018, conhecida como “Besta do Leste”, quando uma massa de ar extremamente frio avançou sobre o Reino Unido e provocou neve, interrupções no transporte e dificuldades em diversas regiões.
Por enquanto, a possibilidade de um novo episódio semelhante permanece apenas como cenário. Os especialistas destacam que previsões sobre o impacto de um aquecimento súbito estratosférico na superfície costumam ganhar maior confiabilidade quando o evento se aproxima. A evolução dos modelos nas próximas semanas será determinante para avaliar se a perturbação prevista poderá, de fato, alterar o inverno no Reino Unido.