O iraquiano Mohammed Yaseen, condenado na Alemanha por integrar o grupo terrorista, foi colocado em um albergue em Windsor após cumprir parte de uma pena por entrada ilegal no Reino Unido. Ele voltou à prisão depois de supostamente descumprir as condições de sua liberação.
Um iraquiano condenado na Alemanha por integrar o grupo terrorista Estado Islâmico foi visto fazendo compras em um supermercado próximo ao Castelo de Windsor, na Inglaterra, após deixar a prisão britânica. Mohammed Yaseen, que também teve vínculos com uma organização extremista ligada à Al Qaeda, permanece no centro de uma disputa jurídica sobre sua permanência no Reino Unido e a possibilidade de deportação para seu país de origem.
O caso ganhou repercussão em outubro de 2026, depois que o jornal britânico The Mail on Sunday informou que Yaseen havia sido visto em uma loja da rede Co-op, nas proximidades da residência oficial do rei Charles III, em Windsor.
Segundo informações divulgadas pela imprensa britânica, ele havia sido transferido para um albergue destinado a pessoas em liberdade provisória após cumprir parte de uma pena de dois anos de prisão por entrada ilegal no país.
A liberdade, porém, durou pouco. De acordo com fontes do Ministério da Justiça britânico citadas pela imprensa, Yaseen foi reconduzido à prisão após supostamente violar uma das condições impostas durante sua permanência no albergue. As autoridades não divulgaram publicamente todos os detalhes da alegada infração.
Condenação na Alemanha por integrar o Estado Islâmico
Yaseen foi condenado em junho de 2020 pelo Tribunal Regional Superior de Düsseldorf, na Alemanha, por integrar uma organização terrorista estrangeira. Ele recebeu uma pena de quatro anos e três meses de prisão.
Segundo informações apresentadas durante o processo alemão, o iraquiano havia se juntado ao grupo Estado Islâmico do Iraque em 2006, quando tinha 16 anos. Mais tarde, passou a integrar o Estado Islâmico, organização terrorista responsável por assassinatos, execuções públicas e outros crimes durante sua atuação no Iraque e na Síria.
Os investigadores alemães apontaram que Yaseen atuou como segurança em execuções públicas realizadas pelo grupo, incluindo apedrejamentos, e participou de atividades relacionadas à proteção de locais onde ocorreram execuções em massa.
O tribunal, entretanto, não confirmou todas as acusações apresentadas pela promotoria. Yaseen foi absolvido de acusações específicas relacionadas à cumplicidade em assassinatos considerados crimes de guerra e à coerção. A condenação comprovada foi pela participação em uma organização terrorista estrangeira.
Antes de integrar o Estado Islâmico, ele também havia mantido vínculos com organizações extremistas atuantes no Iraque, incluindo grupos ligados à Al Qaeda. Uma das organizações associadas a esse contexto histórico foi responsável pelo sequestro e assassinato do britânico Ken Bigley, em 2004.
Entrada no Reino Unido com identidade falsa
Yaseen chegou ao Reino Unido em dezembro de 2025, atravessando o Canal da Mancha em uma pequena embarcação, segundo informações divulgadas durante o processo judicial britânico.
Ao entrar no país, teria fornecido um nome falso às autoridades de fronteira. Posteriormente, verificações biométricas permitiram identificar sua verdadeira identidade e revelar seu histórico criminal na Alemanha.
Após sua identificação, ele foi levado à Justiça por entrada ilegal no Reino Unido. Durante o julgamento no Tribunal da Coroa de Winchester, o promotor Steven Molloy destacou o histórico de envolvimento do acusado com o terrorismo e a ideologia extremista islâmica.
Segundo declarações apresentadas no tribunal, Yaseen representava um risco à segurança pública britânica. A gravidade de seu histórico criminal tornou o caso particularmente sensível para as autoridades responsáveis pela imigração e pela segurança nacional.
O iraquiano recebeu uma pena de dois anos de prisão. Após cumprir parte da sentença, foi liberado para permanecer em um albergue em Windsor, sob condições que incluíam monitoramento eletrônico e restrições de horário.
Deportação para o Iraque enfrenta obstáculos jurídicos
Apesar da condenação por terrorismo na Alemanha e do processo judicial no Reino Unido, Yaseen ainda não foi deportado para o Iraque.
As tentativas anteriores de autoridades alemãs de removê-lo do território foram interrompidas por preocupações relacionadas à sua segurança caso retornasse ao país de origem. A avaliação foi de que ele poderia sofrer maus-tratos ou até ser executado devido ao seu passado e aos vínculos com o Estado Islâmico.
A situação voltou a ser discutida no Reino Unido depois que Yaseen apresentou um novo pedido de permanência com base em direitos humanos.
O caso envolve um conflito jurídico entre a intenção do governo de remover estrangeiros condenados por crimes graves e as obrigações legais de não enviar uma pessoa para um país onde exista risco real de tortura, tratamento desumano ou morte.
O Ministério das Relações Exteriores britânico teria manifestado preocupação com a possibilidade de Yaseen sofrer perseguição caso fosse devolvido ao Iraque. O órgão foi procurado pela imprensa para comentar o caso.
A existência de uma condenação por terrorismo não elimina automaticamente as proteções previstas na legislação de direitos humanos. Por outro lado, a apresentação de um pedido de proteção não significa que a permanência definitiva no Reino Unido esteja garantida.
A decisão dependerá da análise das autoridades competentes e, se necessário, dos tribunais responsáveis pelo processo.
Caso reacende debate sobre imigração e segurança nacional
A situação de Yaseen provocou questionamentos sobre os procedimentos utilizados para identificar pessoas com antecedentes criminais graves que chegam ao Reino Unido por rotas irregulares.
O episódio também reacendeu o debate sobre a permanência de estrangeiros condenados por crimes graves, os mecanismos de monitoramento após a saída da prisão e as dificuldades jurídicas enfrentadas pelo governo britânico para executar deportações.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, o Ministério da Justiça confirmou que Yaseen havia sido retirado do albergue em Windsor e reconduzido à prisão após uma suposta violação das condições de permanência.
Até a divulgação das últimas informações, não havia confirmação pública de uma decisão definitiva sobre seu pedido de permanência no Reino Unido nem de uma nova data para eventual deportação.
O caso permanece sob acompanhamento das autoridades britânicas, que precisam conciliar as exigências de segurança pública com as obrigações legais relativas à proteção contra perseguição e maus-tratos.