Nova tarifa voluntária passa a £ 14,10 por hora na maior parte do país e a £ 15,45 em Londres. Para quem trabalha em tempo integral, o aumento pode representar mais de £ 1.250 adicionais por ano.
Cerca de 500 mil trabalhadores no Reino Unido deverão receber um aumento salarial após a atualização do Salário Digno Real (Real Living Wage), anunciada em 15 de outubro de 2026. A nova tarifa, promovida pela Living Wage Foundation, foi elevada para £ 14,10 por hora na maior parte do país e para £ 15,45 na região de Londres.
O reajuste procura aproximar a remuneração dos custos reais de vida, em um cenário de pressão sobre os orçamentos domésticos. A diferença entre as duas tarifas reflete, principalmente, o custo mais elevado de despesas essenciais na capital britânica, como moradia, transporte e serviços básicos.
Aumento pode superar £ 1.250 por ano
A nova tarifa representa um aumento de 65 centavos por hora em relação aos valores anteriores, o equivalente a uma alta de 4,8% na maior parte do Reino Unido e de 4,4% em Londres.
Para um trabalhador contratado em tempo integral, a atualização pode significar aproximadamente £ 1.267,50 adicionais por ano, considerando uma jornada de 37,5 horas semanais durante 52 semanas. O valor efetivamente recebido dependerá da jornada de trabalho e de eventuais descontos.
A Living Wage Foundation informou que quase 17 mil empregadores estão vinculados ao programa. Entre as empresas e organizações participantes estão marcas conhecidas, como IKEA, Uniqlo e Everton FC. Segundo a entidade, aproximadamente um em cada sete trabalhadores britânicos está empregado por uma organização credenciada à iniciativa.
As empresas participantes são incentivadas a adotar os novos valores imediatamente, mas terão até 1º de maio de 2027 para concluir a implementação dos reajustes salariais.
Diferença em relação ao salário mínimo legal
O Salário Digno Real não deve ser confundido com o salário mínimo obrigatório estabelecido pelo governo britânico.
Desde 1º de abril de 2026, o salário mínimo legal para trabalhadores com 21 anos ou mais é de £ 12,71 por hora. A diferença em relação ao Salário Digno Real chega a £ 1,39 por hora na maior parte do país e a £ 2,74 em Londres.
Na prática, um trabalhador com 21 anos ou mais que receba o mínimo legal pode ganhar menos do que outro empregado pela mesma quantidade de horas, caso este trabalhe para uma empresa credenciada que adote a tarifa voluntária.
Segundo a Living Wage Foundation, a remuneração por hora prevista no novo Salário Digno Real supera o mínimo legal em mais de £ 2.700 por ano na maior parte do Reino Unido. Em Londres, a diferença anual ultrapassa £ 5.300, considerando o trabalho em tempo integral.
O que é o Salário Digno Real?
A iniciativa é coordenada pela Living Wage Foundation, organização que promove uma remuneração calculada com base no custo de vida. O valor é definido a partir de pesquisas e análises sobre as despesas necessárias para que as pessoas mantenham um padrão de vida considerado minimamente adequado.
O cálculo leva em conta gastos cotidianos, como alimentação, moradia, energia e transporte, além de outros custos essenciais. A metodologia é desenvolvida com o apoio da Resolution Foundation, organização independente de pesquisa econômica, sob supervisão da Living Wage Commission.
A campanha completa 25 anos em 2026. De acordo com a fundação, desde o início da iniciativa, a adoção do Salário Digno Real proporcionou quase £ 5 bilhões adicionais em remuneração a trabalhadores com baixos salários.
Milhões de trabalhadores ficam fora do reajuste
Apesar do aumento, o Salário Digno Real não é obrigatório para todas as empresas do Reino Unido. Sua adoção depende do compromisso voluntário dos empregadores com o programa.
Isso significa que trabalhadores de empresas não credenciadas não têm direito automático à nova tarifa. Para esses profissionais, continua valendo o salário mínimo legal aplicável à sua faixa etária e às condições de trabalho.
A atualização beneficia diretamente os empregados das organizações participantes, mas não representa um reajuste geral para toda a população trabalhadora britânica. A diferença entre o salário mínimo legal e o valor considerado necessário para cobrir os custos de vida continua sendo um dos principais pontos levantados por organizações que defendem melhores condições de remuneração.
Embora a nova tarifa possa aliviar parte da pressão sobre os orçamentos familiares, o impacto dependerá de fatores como as despesas de cada trabalhador, a quantidade de horas trabalhadas e a adesão dos empregadores ao programa.