Homem de 25 anos, com dupla nacionalidade britânica e iraniana, foi detido em Westminster sob suspeita de preparar atos terroristas. Polícia também realizou buscas em dois imóveis enquanto investiga possível participação estrangeira no caso.
A Polícia Antiterrorista britânica prendeu um homem de 25 anos, com dupla nacionalidade britânica e iraniana, em Londres, em uma nova etapa da investigação sobre a atividade suspeita registrada nas proximidades da base aérea RAF Fairford, em Gloucestershire.
O homem foi detido na tarde de quinta-feira, 1º de outubro, no distrito de Westminster, sob suspeita de preparação de atos terroristas, com base na Seção 5 da Lei de Terrorismo de 2006. Ele é o sexto suspeito preso no âmbito da investigação. Duas propriedades na região também foram alvo de buscas.
A informação foi confirmada pela Polícia Antiterrorista, que destacou que a investigação continua sendo complexa e envolve diferentes linhas de apuração. As autoridades afirmaram que estão examinando todas as possibilidades, incluindo uma eventual participação de um Estado estrangeiro.
Polícia corrige informação sobre a idade do suspeito
A primeira informação divulgada pelas autoridades indicava que o homem tinha 27 anos. Pouco depois, porém, a Polícia Antiterrorista corrigiu o dado e confirmou que ele tem 25 anos.
A corporação também retirou uma informação divulgada inicialmente segundo a qual um segundo homem, de 26 anos e cidadão britânico, havia sido interrogado sob advertência. A polícia reconheceu que essa informação estava incorreta e apresentou um pedido de desculpas pela confusão.
A correção é relevante porque algumas informações publicadas inicialmente por veículos britânicos e internacionais ainda mencionam a idade de 27 anos ou o suposto interrogatório do segundo homem.
Até o momento, nenhum dos seis suspeitos foi acusado formalmente.
Cinco homens continuam sob investigação
O novo detido se junta aos cinco homens presos no domingo, 27 de setembro, nas proximidades da RAF Fairford.
Os cinco primeiros suspeitos, todos britânicos e na faixa dos 20 anos, foram encontrados em três vans perto da vila de Whelford, após a polícia receber alertas sobre uma movimentação considerada suspeita na região.
A operação mobilizou equipes especializadas em explosivos e levou à evacuação de dezenas de imóveis próximos à base enquanto os agentes verificavam os veículos e o material encontrado.
Apesar das suspeitas iniciais, os agentes não encontraram artefatos explosivos nas vans. Foi localizada, entretanto, uma quantidade de gasolina.
Os cinco homens foram posteriormente liberados sob fiança policial e permanecem sob investigação. Segundo as autoridades, as condições impostas restringem seus deslocamentos e contatos enquanto a apuração continua.
Um dos cinco homens também teria telefonado para o serviço de emergência 999 pouco antes da chegada da polícia. As circunstâncias e o motivo da ligação ainda não foram esclarecidos publicamente.
Possível envolvimento do Irã ainda é investigado
O caso ganhou uma dimensão internacional depois que o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmou que existem “fortes indícios” de que o Irã teve participação nos acontecimentos registrados perto da RAF Fairford.
Burnham, no entanto, não apresentou publicamente os elementos que sustentariam essa avaliação, alegando que a investigação policial é complexa e continua em andamento.
A Polícia Antiterrorista também afirmou que está examinando a possibilidade de envolvimento de um Estado estrangeiro, mas não confirmou oficialmente que o governo iraniano esteja por trás da ação.
Teerã rejeitou categoricamente qualquer envolvimento. O governo iraniano protestou contra as declarações britânicas e convocou o embaixador do Reino Unido em Teerã para transmitir sua posição.
Por isso, a possível ligação iraniana deve ser tratada como uma linha de investigação e uma alegação das autoridades britânicas, e não como uma conclusão estabelecida.
Netanyahu afirma que Israel havia alertado o Reino Unido
A investigação também ganhou um novo elemento diplomático depois que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que seu país havia compartilhado informações de inteligência com o Reino Unido sobre um suposto ataque patrocinado pelo Irã.
Em entrevista à televisão americana, Netanyahu disse que Israel havia informado as autoridades britânicas de que ocorreria um ataque e que se tratava de uma ação atribuída ao Irã.
No entanto, ele não apresentou publicamente provas que sustentassem a afirmação nem deixou completamente claro se a informação mencionada correspondia especificamente ao episódio registrado na RAF Fairford.
Até o momento, as autoridades britânicas não confirmaram publicamente os detalhes da suposta informação de inteligência israelense.
Trump criticou libertação dos cinco primeiros suspeitos
A decisão de libertar sob fiança os cinco homens presos inicialmente também provocou críticas nos Estados Unidos.
O presidente Donald Trump afirmou ter ficado surpreso com a decisão das autoridades britânicas. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, também classificou o episódio como grave e indicou que Washington acreditava haver participação de um agente estrangeiro.
As autoridades britânicas, por sua vez, defenderam a decisão como parte do processo normal de investigação. A Polícia Antiterrorista afirmou que a libertação foi uma decisão investigativa baseada na avaliação dos riscos e nos poderes legais disponíveis, e não significou o encerramento do caso.
Burnham também declarou que o Reino Unido está trabalhando em estreita colaboração com os Estados Unidos e afirmou que as autoridades mantêm a situação sob controle.
Por que a RAF Fairford é importante?
A RAF Fairford é uma importante instalação militar britânica utilizada pelas Forças Armadas dos Estados Unidos. Nos últimos meses, a base ganhou especial relevância por ter sido utilizada por bombardeiros americanos em operações contra o Irã durante o conflito no Oriente Médio.
Essa utilização aumentou a importância estratégica da instalação e também fez com que a segurança da base passasse a ser observada com maior atenção.
O contexto ajuda a explicar por que a presença de três vans e de homens considerados suspeitos nas proximidades da instalação provocou uma grande operação de segurança. Ainda assim, as autoridades britânicas não estabeleceram publicamente qual seria o objetivo exato da atividade investigada.
Entre as possibilidades analisadas está a hipótese de que os envolvidos estivessem preparando um ataque, realizando reconhecimento da área ou atuando de alguma outra forma em nome de terceiros. Nenhuma dessas possibilidades foi confirmada até o momento.
Investigação continua em várias frentes
A Polícia Antiterrorista destacou que a investigação permanece aberta e que seus especialistas estão analisando diferentes linhas de investigação.
A prisão do cidadão britânico-iraniano em Westminster acrescenta uma nova dimensão ao caso, mas, por si só, não estabelece que ele tenha organizado ou participado do episódio ocorrido em Gloucestershire.
Os cinco homens presos inicialmente continuam sob fiança policial, enquanto os investigadores analisam evidências recolhidas nos veículos, nos imóveis revistados e em outros materiais apreendidos durante a operação.
Até agora, não foram encontrados explosivos nas três vans e nenhuma pessoa foi formalmente acusada.
A investigação deverá determinar se houve de fato um plano para atacar a RAF Fairford, qual seria o objetivo da ação e se existe alguma relação entre os suspeitos presos em Gloucestershire e o homem detido posteriormente em Londres.
Enquanto essas respostas não são estabelecidas, as autoridades britânicas mantêm abertas todas as principais linhas de investigação, incluindo a possibilidade de participação de um Estado estrangeiro.