Grupo atacou passageiros que chegavam da África do Sul, usou uma substância semelhante ao gás lacrimogêneo dentro de um elevador e roubou malas. Incidente provocou o fechamento temporário do Terminal 3 e deixou 21 pessoas precisando de atendimento médico.
Quatro homens foram condenados à prisão no Reino Unido após um violento ataque no aeroporto de Heathrow, em Londres, no qual uma substância que se acredita ser aerossol CS, utilizado como agente incapacitante, foi espalhada dentro de um elevador e usada contra passageiros.
O episódio aconteceu na manhã de 7 de dezembro de 2025, no estacionamento de vários andares do Terminal 3. O grupo tinha como alvo duas mulheres que haviam acabado de chegar de Joanesburgo, na África do Sul, e acabou roubando as malas das vítimas.
A violência provocou uma grande operação de emergência, afetou passageiros e funcionários do aeroporto e levou ao fechamento do Terminal 3 por várias horas. Ao todo, 21 pessoas receberam atendimento médico e cinco foram levadas ao hospital. As cinco receberam alta posteriormente.
Quatro homens são condenados
Os condenados são Tyrone Richards, 31 anos; Anton Clarke-Butcher, 25; Omoneke Whyte, 31; e Denzel Eduardo, 29. Os quatro admitiram participação no crime conjunto e se declararam culpados da acusação de affray, delito previsto na legislação britânica para situações de violência ou ameaça de violência que perturbam a ordem pública.
As penas foram determinadas no Tribunal da Coroa de Isleworth, em Londres, na quarta-feira, 16 de setembro de 2026.
Richards recebeu 27 meses de prisão. Whyte e Eduardo foram condenados a 23 meses cada, enquanto Clarke-Butcher recebeu 21 meses.
Ao proferir a sentença, o juiz Kwame Inyundo afirmou que as vítimas foram escolhidas pelo grupo e classificou a violência utilizada como “grave e prolongada”.
Ataque começou dentro de um elevador
Segundo as provas apresentadas no tribunal, duas mulheres que haviam chegado naquela manhã em um voo da British Airways procedente de Joanesburgo estavam dentro do elevador de um estacionamento do aeroporto acompanhadas por dois homens que haviam ido encontrá-las.
Por volta das 8h, três dos quatro acusados, usando roupas escuras e cobrindo o rosto, entraram em ação e lançaram uma substância descrita no processo como provavelmente aerossol CS dentro do elevador.
Os homens foram impedidos de entrar no espaço pelas pessoas que estavam no local. Com a dispersão da substância, passageiros que estavam próximos correram para longe do elevador.
O tribunal ouviu que não ficou claro qual dos integrantes do grupo acionou diretamente o produto. Mesmo assim, os quatro reconheceram sua participação na ação conjunta.
Quando o elevador chegou ao térreo, a substância continuou se espalhando pela área, atingindo outras pessoas.
Uma funcionária de uma cafeteria próxima contou aos investigadores que começou a tossir e chegou a vomitar sangue. Outra funcionária do terminal relatou que se sentiu tonta e teve a sensação de que iria desmaiar.
Uma passageira que havia chegado da África do Sul com o filho de 14 meses também relatou ter ficado assustada com a situação e temido pela segurança da criança.
Mulheres foram seguidas até o ponto de táxi
Depois de deixarem o estacionamento, as duas mulheres seguiram até a área de táxis do aeroporto. Os quatro homens as acompanharam.
De acordo com o tribunal, o grupo demonstrou um interesse específico pelas malas das passageiras. As vítimas foram confrontadas e ameaçadas antes que suas bagagens fossem levadas.
Uma das mulheres foi atingida diretamente no rosto pela substância a curta distância por volta das 8h03. O ataque fez com que ela começasse a tossir e a se engasgar.
As malas roubadas nunca foram recuperadas.
O juiz afirmou durante a sentença que os homens seguiram e confrontaram as duas mulheres quando elas tentavam conseguir um táxi e utilizaram ameaças de violência para tomar suas bagagens.
Vinte e uma pessoas precisaram de atendimento
O impacto da substância não ficou restrito às vítimas diretamente atacadas.
Quando a polícia e os serviços de emergência chegaram ao estacionamento, 21 pessoas haviam sido afetadas. Cinco precisaram ser encaminhadas ao hospital, embora nenhuma tenha sofrido ferimentos considerados graves ou com risco de vida.
A ocorrência provocou uma grande mobilização policial no aeroporto. Passageiros tiveram dificuldades para deixar Heathrow ou chegar aos terminais, enquanto ônibus de ligação e serviços ferroviários sofreram atrasos.
A Terminal 3 permaneceu fechada durante horas, provocando uma interrupção significativa no fluxo de passageiros.
O que é o aerossol CS?
O aerossol CS é uma substância química utilizada por forças policiais em diversos países para incapacitar temporariamente uma pessoa. Ele provoca irritação intensa nos olhos e nas vias respiratórias e pode causar tosse, dificuldade para respirar e sensação de sufocamento.
No início da investigação, a Polícia Metropolitana informou que os criminosos haviam utilizado uma substância que se acreditava ser gás de pimenta. Durante o processo judicial, porém, a substância foi descrita como provavelmente aerossol CS.
A polícia havia informado, logo após o episódio, que 21 pessoas tinham sido atendidas no local e cinco encaminhadas ao hospital. As cinco receberam alta posteriormente.
Caso começou como investigação de roubo
A investigação teve início imediatamente após o incidente, quando policiais foram chamados às 8h11 de 7 de dezembro de 2025 para atender relatos de várias pessoas afetadas por uma substância nociva.
As primeiras informações indicavam que duas mulheres haviam sido roubadas depois de sair do elevador do estacionamento e que os criminosos haviam utilizado o produto químico durante a ação.
Dois homens, entre eles Richards e Clarke-Butcher, foram posteriormente acusados de roubos e de administrar uma substância nociva. Outros envolvidos foram presos durante a investigação.
O processo acabou chegando ao Tribunal da Coroa de Isleworth, onde os quatro homens admitiram a participação na ação conjunta e receberam as penas de prisão nesta semana.
O juiz considerou que não se tratou de um episódio isolado de violência, mas de uma ação coordenada na qual passageiros foram deliberadamente escolhidos como alvos e submetidos a uma sequência de violência e ameaças antes do roubo das bagagens.