As telas de embarque ficaram tomadas por cancelamentos e atrasos, enquanto milhares de passageiros enfrentavam longas esperas em aeroportos do Reino Unido. A falha técnica que atingiu o sistema de processamento de planos de voo do Serviço Nacional de Tráfego Aéreo britânico, conhecido pela sigla NATS, desencadeou uma das maiores crises recentes da aviação do país.

O problema começou na tarde de terça-feira e, embora o sistema tenha sido restabelecido algumas horas depois, os efeitos da interrupção se prolongaram pelo dia seguinte. Segundo dados da empresa de análise de aviação Cirium, mais de 1.750 voos foram cancelados somente na terça-feira. Com novas suspensões na quarta-feira, o número total de cancelamentos relacionados à falha ultrapassou 2 mil.

O impacto atingiu centenas de milhares de passageiros, além de provocar um efeito dominó que se espalhou por aeroportos britânicos e também afetou operações internacionais. Aeronaves e tripulações ficaram fora de suas bases habituais, dificultando a reconstrução da programação das companhias aéreas.

Heathrow, Gatwick e Manchester entre os aeroportos mais afetados

Entre os principais aeroportos atingidos estão Heathrow, Gatwick, Manchester e Stansted. Também foram registrados problemas em Luton, Birmingham, Edimburgo, Glasgow, Londres-City e Aberdeen.

Heathrow, um dos aeroportos mais movimentados da Europa, esteve entre os mais prejudicados. De acordo com os dados da Cirium, 541 voos foram cancelados no aeroporto na terça-feira. A dimensão do problema fez com que passageiros permanecessem durante horas dentro de aeronaves ou aguardassem atendimento nos terminais.

A situação também provocou desvios de voos e dificuldades para acomodar passageiros. Em alguns casos, viajantes passaram a noite nos aeroportos enquanto tentavam encontrar novas opções para continuar suas viagens.

Companhias aéreas enfrentam o efeito dominó

A crise não terminou com a recuperação do sistema da NATS. Com aeronaves e tripulações deslocadas, as companhias precisaram reorganizar suas operações em meio a uma rede já congestionada.

A British Airways cancelou mais de 190 voos na quarta-feira, enquanto a Ryanair informou que cerca de 150 mil de seus passageiros foram afetados pela crise. A companhia havia cancelado aproximadamente 260 voos na terça-feira, segundo estimativas divulgadas posteriormente.

A empresa de baixo custo também está entre as companhias que passaram a pressionar publicamente o governo britânico por mudanças na direção da NATS. A Wizz Air igualmente pediu responsabilização diante da repetição de problemas no sistema de controle aéreo britânico.

NATS descarta ataque cibernético

O diretor executivo da NATS, Martin Rolfe, afirmou que a falha não foi provocada por um ataque cibernético. Em entrevista à BBC Radio 4, o executivo classificou o episódio como extraordinário e afirmou que a organização se deparou com uma situação que nunca havia enfrentado em seus 50 anos de operação.

Rolfe também assumiu a responsabilidade pela atuação da organização durante a crise e afirmou que sua prioridade era restabelecer o funcionamento do sistema e ajudar aeroportos, companhias aéreas e passageiros a recuperar a normalidade.

A NATS informou que o problema estava relacionado ao seu sistema de processamento de planos de voo. Segundo a empresa, a recuperação foi complexa e gerou dificuldades para toda a rede de aviação, o que explica por que a interrupção continuou provocando atrasos e cancelamentos mesmo depois de o sistema voltar a funcionar.

Governo britânico exige investigação

A dimensão da crise levou a secretária de Transportes, Heidi Alexander, a convocar Martin Rolfe para prestar esclarecimentos. O governo britânico determinou que a NATS apresente, dentro de uma semana, um relatório detalhado sobre as causas da falha e as medidas necessárias para evitar que um episódio semelhante volte a ocorrer.

Alexander afirmou que não considera que a interrupção fosse inevitável e pediu ainda uma revisão independente pela Autoridade de Aviação Civil britânica. O órgão deverá analisar o episódio e avaliar a capacidade de resposta do sistema de controle aéreo.

Apesar da pressão crescente, o governo afirmou que continua apoiando Rolfe no comando da NATS. Companhias aéreas, no entanto, aumentaram as críticas e passaram a pedir sua saída após o novo episódio.

Terceira grande falha em pouco mais de três anos

O caso também reacendeu preocupações sobre a confiabilidade da infraestrutura de controle aéreo britânica. Esta é a terceira grande interrupção envolvendo a NATS em pouco mais de três anos, após problemas registrados em agosto de 2023 e julho de 2025.

A ocorrência de 2023 já havia provocado uma grave paralisação da aviação britânica e atingido centenas de milhares de passageiros. O novo episódio aumenta a pressão para que a NATS reveja seus sistemas, protocolos de contingência e mecanismos de recuperação.

Quando a situação deve voltar ao normal?

Embora a falha técnica tenha sido solucionada, a normalização completa das operações depende agora da reorganização de aeronaves, tripulações e horários de voo. Por isso, os efeitos da crise devem continuar sendo sentidos ao longo dos próximos dias.

A expectativa das autoridades e das companhias aéreas é reduzir progressivamente o número de cancelamentos e atrasos enquanto a rede recupera sua capacidade operacional.

Para os passageiros, a recomendação é verificar diretamente o status do voo antes de seguir para o aeroporto e manter contato com a companhia aérea em caso de cancelamento ou alteração. O episódio mostra que, mesmo após a correção de uma falha técnica, o impacto de uma interrupção no sistema de controle aéreo pode se prolongar por muito mais tempo.

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