O nigeriano Gift Oladele, de 24 anos, estuprou e agrediu sexualmente uma jovem de 19 anos no País de Gales meses depois de conseguir derrubar uma ordem de deportação baseada em seus vínculos familiares no Reino Unido. Após o ataque, ele disse à vítima que “já era suficiente” e chegou a zombar dela por ter sido estuprada.

Oladele foi condenado em 30 de abril de 2026 a uma pena total de 25 anos, dos quais deverá cumprir 17 anos de prisão e outros oito sob um regime de liberdade supervisionada ampliada. Ele também recebeu uma ordem de prevenção de danos sexuais e uma ordem de restrição por tempo indeterminado, além de ter sido obrigado a permanecer no registro de criminosos sexuais pelo resto da vida.

O ataque aconteceu nas primeiras horas de 7 de setembro de 2025, quando a vítima voltava para casa depois de sair à noite com amigas em Wrexham, no norte do País de Gales.

Segundo a investigação apresentada ao tribunal, Oladele se aproximou da jovem e de uma amiga no centro da cidade. Depois de conversar com as duas, insistiu em acompanhá-la até sua casa, alegando que seguiria na mesma direção.

Quando ficaram sozinhos, ele a levou para uma área isolada próxima à Mold Road, onde a agrediu sexualmente e a estuprou.

Oladele negou os crimes durante o julgamento e afirmou que a relação sexual havia sido consensual. Um júri do Tribunal da Coroa de Mold rejeitou sua versão e o declarou culpado de estupro e agressão sexual em março de 2026.

“Meu cérebro entrou em modo de sobrevivência”

A vítima, que atualmente tem 20 anos, decidiu falar publicamente sobre o que aconteceu.

Segundo seu relato, ela tentou afastar Oladele, mas ele era muito maior e conseguiu imobilizá-la. Durante a agressão, cobriu a boca dela e a golpeou várias vezes.

A jovem contou que chegou a pensar que seria assassinada e que imagens de sua família passavam repetidamente por sua mente enquanto tentava sobreviver.

“Meu cérebro simplesmente entrou em modo de sobrevivência”, relatou.

Ela também afirmou que o agressor a ameaçou para impedir que denunciasse o crime e chegou a dizer que iria encontrá-la caso procurasse a polícia.

Depois do estupro, Oladele fez comentários degradantes sobre o que havia acontecido. Segundo o relato da vítima divulgado pela imprensa britânica, ele disse: “Acho que já foi suficiente”, antes de fazer uma referência ofensiva à própria aparência física.

Apesar das ameaças, a jovem decidiu não permanecer em silêncio.

Ao chegar em casa, acordou os pais e contou imediatamente o que havia acontecido. Seu pai chamou a polícia, e os agentes chegaram pouco depois.

Oladele foi preso no dia seguinte, em uma casa de familiares em Wrexham.

Ele já tinha antecedentes por ataque contra outra mulher

A história ganha uma dimensão ainda mais grave devido aos antecedentes de Oladele.

Em 2022, quando tinha 21 anos, ele foi condenado em Manchester por privação ilegal da liberdade de outra mulher e recebeu uma pena de dois anos de prisão. Segundo informações reveladas posteriormente durante o processo, o ataque teve motivação sexual, e a vítima chegou a temer que fosse estuprada.

O juiz responsável pela sentença o descreveu como uma pessoa perigosa e afirmou que ele demonstrava atitudes inadequadas em relação às mulheres e um sentimento de direito sobre elas.

Além disso, durante o processo referente ao ataque em Wrexham, foi revelado que Oladele estava em liberdade sob fiança por outra acusação de estupro em Manchester, relacionada a um suposto crime cometido em novembro de 2024. Essa acusação era independente do caso pelo qual ele acabou sendo condenado.

A ordem de deportação e o recurso judicial

Outro elemento central do caso é a situação migratória de Oladele.

Cidadão nigeriano nascido na Itália, ele já era conhecido pelas autoridades quando foi condenado em 2022. Depois daquela condenação, o Ministério do Interior britânico determinou sua deportação em janeiro de 2023, com base na legislação migratória do Reino Unido.

Oladele recorreu da decisão ao Tribunal de Asilo e Imigração.

Em seu recurso, argumentou que havia construído uma vida familiar e privada no Reino Unido e que sua expulsão para a Nigéria enfrentaria obstáculos significativos. O tribunal decidiu a seu favor em relação à ordem de deportação e concluiu que manter a decisão do Ministério do Interior violaria os direitos protegidos pelo artigo 8º da Convenção Europeia dos Direitos Humanos, que garante o respeito à vida privada e familiar.

A decisão não significava que o tribunal considerasse Oladele inocente em relação ao crime anterior. A questão analisada era se sua expulsão do país seria compatível com seus direitos relacionados à vida privada e familiar.

Meses depois, ainda permanecendo no Reino Unido, ele cometeu o ataque sexual pelo qual agora cumpre uma longa pena de prisão.

Tribunal considerou agressor um perigo

Ao proferir a sentença em abril, o juiz Simon Mills impôs uma pena ampliada de 25 anos, composta por 17 anos de prisão e outros oito anos sob liberdade supervisionada.

Esse tipo de condenação é aplicado na Inglaterra e no País de Gales a determinados criminosos considerados perigosos e permite que medidas de supervisão sejam mantidas após a saída da prisão.

O tribunal também determinou que Oladele permaneça no registro de criminosos sexuais pelo resto da vida e estabeleceu medidas de proteção para impedir que ele entre em contato com a vítima.

A Polícia do Norte de Gales descreveu o condenado como um criminoso perigoso e destacou a coragem da jovem por denunciar o ataque e manter seu depoimento durante o processo judicial.

O Ministério Público da Coroa também elogiou a força da vítima e afirmou que seu depoimento permitiu apresentar ao júri um caso sólido, que terminou com as condenações.

Evidências encontradas após a prisão

Durante a investigação, os investigadores também analisaram os dispositivos eletrônicos utilizados por Oladele.

Segundo elementos apresentados ao tribunal, foram encontradas em seu telefone pesquisas e outros materiais que apontavam para um interesse prolongado em violência e abuso sexual forçado.

As evidências foram incorporadas ao processo junto com o depoimento da vítima e outros elementos utilizados pela acusação para demonstrar que a relação sexual não havia sido consensual.

O júri finalmente declarou Oladele culpado pelos crimes pelos quais foi julgado.

Governo britânico defende política mais dura contra criminosos estrangeiros

Após a condenação, um porta-voz do Ministério do Interior classificou o caso como “absolutamente horrível” e manifestou apoio à vítima.

O governo reiterou que estrangeiros que cometam crimes graves devem estar sujeitos à possibilidade de expulsão do Reino Unido quando a legislação permitir. Também defendeu suas reformas migratórias destinadas a facilitar a deportação de criminosos estrangeiros.

O caso, no entanto, voltou a alimentar o debate político sobre os limites das normas de direitos humanos nos processos de deportação.

A controvérsia envolve especialmente o artigo 8º da Convenção Europeia dos Direitos Humanos, que protege o direito à vida privada e familiar. Esse direito não é absoluto e pode estar sujeito a restrições quando existem razões previstas em lei, entre elas a proteção da segurança pública e a prevenção de crimes.

Uma vítima que decidiu falar

Para a jovem de Wrexham, o processo judicial começou imediatamente após o ataque, quando decidiu contar à família o que havia acontecido, apesar das ameaças recebidas.

Seu depoimento ajudou a polícia a identificar e prender Oladele poucas horas depois. Meses mais tarde, um júri rejeitou a versão apresentada pelo acusado e o declarou culpado.

Agora, com Oladele condenado a uma pena ampliada de 25 anos, a vítima também conta com uma ordem judicial que impede que o agressor entre em contato com ela.

O caso deixa ainda uma questão no centro do debate migratório britânico: como equilibrar o direito à vida privada e familiar com a proteção da sociedade quando um estrangeiro com antecedentes criminais é considerado um risco para outras pessoas.

Neste caso específico, a decisão judicial relacionada à sua deportação permitiu que ele permanecesse no Reino Unido. Posteriormente, ele cometeu outro crime grave e acabou condenado por estupro e agressão sexual. As circunstâncias daquela decisão migratória e suas consequências, porém, devem ser distinguidas de qualquer afirmação generalizada sobre solicitantes de asilo ou imigrantes no Reino Unido.

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