Ator britânico faleceu em Los Angeles após enfrentar Alzheimer e demência com corpos de Lewy. Conhecido mundialmente como capitão Jean-Luc Picard e professor Charles Xavier, ele terá uma última aparição no cinema em dezembro, em Vingadores: Doutor Destino.
O ator britânico Sir Patrick Stewart, um dos nomes mais respeitados do teatro, do cinema e da televisão, morreu na quarta-feira (28 de outubro), aos 86 anos, em sua residência em Los Angeles, nos Estados Unidos. A notícia foi anunciada nesta quinta-feira (29) por meio de uma publicação em suas redes sociais, divulgada por sua equipe.
Segundo o comunicado, Stewart morreu após uma breve jornada convivendo com a doença de Alzheimer e a demência com corpos de Lewy. O ator estava acompanhado pela esposa, Sunny Ozell, familiares e amigos.
A mensagem informou que seus últimos momentos foram cercados de música ao vivo, orações, lágrimas e risadas, em um ambiente de carinho e despedida. O texto também destacou a serenidade e a humanidade que marcaram sua personalidade ao longo da vida.
Nascido em 13 de julho de 1940, em Mirfield, no condado de Yorkshire, na Inglaterra, Stewart construiu uma carreira de aproximadamente sete décadas. Sua trajetória começou nos palcos, ganhou reconhecimento com as interpretações de William Shakespeare e alcançou projeção internacional com dois personagens que entraram para a história da cultura popular: o capitão Jean-Luc Picard, de Star Trek, e o professor Charles Xavier, da franquia X-Men.
Do teatro britânico à fama mundial
Antes de conquistar Hollywood, Patrick Stewart já era reconhecido como um dos grandes intérpretes de sua geração no teatro britânico. Em 1966, ingressou na Royal Shakespeare Company, uma das mais importantes companhias teatrais do Reino Unido, onde participou de diversas produções clássicas.
Ao longo dos anos, interpretou personagens de Shakespeare e de outros grandes autores, demonstrando uma versatilidade que também o levaria à televisão e ao cinema.
Sua carreira ganhou dimensão internacional em 1987, quando assumiu o papel do capitão Jean-Luc Picard em Star Trek: The Next Generation. A série acompanhava as aventuras da tripulação da nave Enterprise e permaneceu no ar até 1994.
Com sua interpretação, Stewart construiu um personagem marcado pela inteligência, diplomacia, liderança e defesa do diálogo. Picard tornou-se um dos capitães mais emblemáticos da franquia, papel que o ator retomou posteriormente em filmes e na série Star Trek: Picard, lançada em 2020.
Em 2000, Stewart iniciou outra fase marcante de sua carreira ao interpretar o professor Charles Xavier no primeiro filme da franquia X-Men. O personagem, fundador e mentor dos mutantes, tornou-se uma das figuras centrais da saga cinematográfica.
A interpretação de Stewart ajudou a estabelecer uma identidade para Xavier, apresentado como um líder que defendia a convivência entre humanos e mutantes, mesmo diante de conflitos e preconceitos. O ator retornou ao papel em diversas produções, incluindo Logan (2017) e Doutor Estranho no Multiverso da Loucura (2022).
Uma última aparição em Vingadores: Doutor Destino
Mesmo após mais de seis décadas de carreira, Patrick Stewart continuava envolvido em grandes produções. Sua última participação cinematográfica será em Vingadores: Doutor Destino (Avengers: Doomsday), no qual voltará a interpretar Charles Xavier.
A confirmação foi feita pela Marvel Studios em uma homenagem publicada após a morte do ator. O estúdio destacou a inteligência, a elegância e a humanidade que Stewart levou ao personagem durante mais de 25 anos.
O filme tem estreia prevista para 18 de dezembro de 2026 e contará com o retorno de outros nomes associados ao universo dos X-Men, entre eles Ian McKellen, que interpreta Magneto.
A produção ganhará, assim, um significado especial para os admiradores do ator: será a última oportunidade de vê-lo novamente em um papel que ajudou a definir uma parte importante de sua carreira.
Prêmios, reconhecimento e título de cavaleiro
A contribuição de Patrick Stewart para as artes foi reconhecida por instituições britânicas e internacionais. Em 2010, recebeu o título de cavaleiro da rainha Elizabeth II, passando a ser oficialmente chamado de Sir Patrick Stewart, em reconhecimento aos serviços prestados ao teatro.
Também recebeu importantes distinções por seu trabalho nos palcos, incluindo prêmios Olivier, além de indicações ao Emmy e ao Globo de Ouro. Em 2024, conquistou um Grammy pela narração do audiolivro de suas memórias, Making It So.
Sua trajetória foi marcada pela capacidade de transitar entre diferentes gêneros. Stewart interpretou personagens de Shakespeare, participou de comédias televisivas, protagonizou dramas históricos e se tornou uma das vozes mais reconhecidas da ficção científica.
Em suas memórias, publicadas em 2023, revisitou a infância em Yorkshire, os desafios familiares, a formação artística e os caminhos que o levaram ao reconhecimento internacional.
Colegas e artistas prestam homenagens
A morte do ator provocou uma onda de manifestações de colegas de profissão e admiradores em diferentes partes do mundo.
Hugh Jackman, que interpretou Wolverine ao lado de Stewart na franquia X-Men, publicou uma homenagem nas redes sociais, descrevendo-o como um amigo extraordinário e um dos grandes nomes do teatro e do cinema.
William Shatner, intérprete do capitão James T. Kirk na série original Star Trek, também lamentou a morte do colega. Ele destacou a inteligência, a elegância e a humanidade que Stewart levou ao personagem de Picard e às suas demais interpretações.
George Takei, que deu vida ao personagem Sulu na mesma franquia, afirmou que o ator inspirou gerações de admiradores e ajudou a construir uma visão mais esperançosa sobre o futuro da humanidade.
A Marvel Studios também divulgou uma homenagem, ressaltando que Stewart deu vida ao professor Xavier com uma combinação singular de inteligência, dignidade e humanidade. O estúdio manifestou solidariedade à esposa, aos filhos, aos amigos e aos fãs do ator.
Além de sua carreira artística, Stewart também era conhecido pelo ativismo em defesa dos direitos humanos. Apoiou organizações que trabalham no combate à violência doméstica, na proteção de refugiados, na assistência à saúde mental de veteranos e no bem-estar animal. Também esteve envolvido em campanhas de acolhimento e adoção de cães da raça pitbull.
Patrick Stewart deixa um legado que ultrapassa os limites do entretenimento. No teatro, demonstrou a força da interpretação clássica; na televisão e no cinema, construiu personagens que atravessaram gerações. Entre o palco de Shakespeare, a ponte de comando da Enterprise e a escola de mutantes do professor Xavier, sua voz e sua presença se tornaram parte da história da cultura contemporânea.