Um vídeo gravado na praia de El Trampolín, em Ceuta, no norte da África, provocou indignação após mostrar um grupo de pessoas retirando do mar uma cria de golfinho e carregando o animal pela praia. O episódio ocorreu em meio à grave crise migratória que atinge o enclave espanhol e levou uma associação ambientalista a apresentar uma denúncia à Guarda Civil.

As imagens, verificadas por veículos locais e por uma organização especializada em checagem de informações, mostram pessoas carregando a cria de golfinho nas proximidades das escolleras da praia. Em outro registro, o animal aparece aparentemente sem vida.

Uma das gravações foi publicada originalmente em 3 de setembro e rapidamente se espalhou pelas redes sociais. No vídeo, um homem que presencia a cena questiona as pessoas que carregam o animal e pede que ele seja devolvido ao mar. Os envolvidos respondem que o golfinho já estava morto.

Associação ambientalista denuncia possível maus-tratos

A organização Defesa da Biodiversidade e do Meio Ambiente de Ceuta apresentou uma denúncia formal à Guarda Civil, acompanhada de fotografias, vídeos e capturas de publicações nas redes sociais.

Segundo a entidade, o animal teria chegado vivo e desorientado à margem e posteriormente teria sido retirado da água e atingido na cabeça com um pedaço de madeira. A associação afirma que o episódio pode configurar crime de maus-tratos e contra a fauna protegida e pediu que os responsáveis sejam identificados e que o caso seja encaminhado à Promotoria.

A versão, contudo, ainda precisa ser confirmada pelas autoridades. Uma análise publicada pelo serviço de checagem Newtral destacou que as imagens que circulavam nas redes sociais não permitiam confirmar, por si só, que o animal havia sido morto a golpes. A publicação também identificou a localização como a praia de El Trampolín e encontrou outro vídeo no qual duas pessoas carregam o corpo aparentemente sem vida da cria.

O caso deverá ser analisado pelas autoridades competentes para determinar o que aconteceu antes, durante e depois da retirada do animal do mar.

Golfinhos são espécies protegidas

A retirada e a manipulação de cetáceos encontrados na costa espanhola estão sujeitas a regras de proteção da fauna. Especialistas e entidades ambientais recomendam que animais marinhos encontrados vivos ou mortos na praia não sejam manipulados pela população, mas comunicados imediatamente aos serviços de emergência ou às autoridades ambientais.

A investigação deverá determinar, entre outros pontos, em que condições o golfinho chegou à praia, se estava vivo quando foi retirado do mar e se sofreu algum tipo de agressão.

Caso ocorre em meio à grave crise migratória em Ceuta

O episódio acontece em um momento de forte tensão social em Ceuta, após a entrada em massa de migrantes vindos do Marrocos no fim de julho.

Segundo o Ministério do Interior da Espanha, cerca de 72 mil pessoas entraram em Ceuta durante a crise de 30 e 31 de julho, sendo que a maioria retornou posteriormente ao Marrocos. No fim de agosto, o governo espanhol estimava que aproximadamente 5 mil migrantes ainda permaneciam no enclave, incluindo cerca de 1.500 menores.

A situação provocou uma forte pressão sobre os serviços de acolhimento e desencadeou protestos de moradores. No início de setembro, milhares de pessoas participaram de manifestações contra a gestão da crise migratória e pediram maior controle das fronteiras e soluções para a situação dos migrantes que continuam na cidade.

A praia de El Trampolín, onde ocorreu o episódio envolvendo o golfinho, também tem sido utilizada como área de permanência de migrantes. Segundo reportagens locais, centenas de pessoas chegaram a dormir na região durante a crise.

Investigação deverá esclarecer o que aconteceu com o animal

Enquanto as imagens continuam circulando nas redes sociais, a principal questão agora é esclarecer se a cria de golfinho já estava morta quando foi retirada da água ou se morreu posteriormente em consequência de agressões.

A denúncia apresentada pela associação ambientalista fornece às autoridades material gráfico que poderá ajudar na identificação dos envolvidos e na reconstrução da sequência dos acontecimentos.

O episódio também reacendeu o debate sobre a proteção da fauna marinha e sobre a necessidade de evitar conclusões precipitadas a partir de vídeos publicados nas redes sociais. Até que a investigação seja concluída, as circunstâncias da morte do animal permanecem sob apuração.

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