Ação policial de sete dias investigou suspeitos de tentar encontros sexuais com menores e crimes relacionados ao tráfico de pessoas. Entre os detidos, 17 trabalhavam em parques temáticos da região, e sete foram apontados como suspeitos de crimes sexuais contra crianças.
Uma operação policial de grande escala no condado de Polk, na Flórida, terminou com 281 pessoas presas e 488 novas acusações criminais. A investigação, realizada durante sete dias e batizada de Polk Around & Find Out II, teve como alvos pessoas suspeitas de tentar manter relações sexuais com menores de idade e indivíduos envolvidos em atividades relacionadas à exploração sexual e ao tráfico de pessoas.
O caso ganhou repercussão internacional porque, entre os detidos, estão 17 funcionários de parques temáticos da região: 13 ligados ao Walt Disney World e quatro à Universal Studios. Segundo o xerife do condado de Polk, Grady Judd, sete dos suspeitos que trabalhavam em parques temáticos foram identificados entre os investigados por crimes sexuais contra menores.
As autoridades, no entanto, não divulgaram informações que permitam afirmar que todos os 17 funcionários enfrentam acusações dessa natureza. A presença de trabalhadores das duas empresas entre os detidos não significa, por si só, que todos tenham sido presos pelo mesmo tipo de crime.
Duas investigações simultâneas
A operação foi conduzida pelo Gabinete do Xerife do Condado de Polk, em colaboração com órgãos policiais locais, estaduais e federais. O trabalho reuniu duas investigações diferentes.
A primeira teve como objetivo identificar adultos que viajavam até locais determinados para encontrar menores de idade com a intenção de praticar atos sexuais ilícitos. Essa frente resultou em 32 prisões. De acordo com as autoridades, os investigadores utilizaram perfis e comunicações disfarçadas para atrair suspeitos que acreditavam estar negociando encontros com crianças ou adolescentes.
A segunda investigação concentrou-se em atividades relacionadas à prostituição e ao tráfico de pessoas e terminou com outras 249 prisões. Desse total, 117 pessoas foram detidas sob suspeita de tentar comprar serviços sexuais, enquanto outras 122 foram presas por acusações relacionadas à oferta de serviços de prostituição.
Durante a operação, equipes policiais e organizações de assistência social também avaliaram as pessoas detidas nessa segunda frente. O trabalho permitiu identificar 11 possíveis vítimas de tráfico de pessoas, às quais foram oferecidos serviços de apoio e atendimento.
No total, os investigadores registraram 488 novas acusações criminais, sendo 198 classificadas como crimes graves e 290 como delitos de menor gravidade, segundo os dados divulgados pelas autoridades.
Funcionários da Disney e da Universal entre os detidos
A participação de trabalhadores de dois dos maiores complexos de entretenimento dos Estados Unidos chamou a atenção para a dimensão do caso. Os 17 funcionários identificados trabalhavam em parques temáticos da região central da Flórida, sendo 13 no Walt Disney World e quatro na Universal Studios.
O xerife Grady Judd afirmou que sete dos suspeitos ligados a parques temáticos estavam entre os investigados por crimes sexuais contra menores. As autoridades também mencionaram a prisão de um treinador de futebol juvenil e de um agente de segurança escolar do condado de Orange.
Um dos casos citados por Judd foi o de Eric Raymond, agente do Gabinete do Xerife do Condado de Orange. Segundo o relato das autoridades, ele teria respondido a um anúncio falso de serviços sexuais publicado por investigadores e comparecido ao local combinado para negociar um encontro mediante pagamento. O caso, conforme as informações divulgadas, está relacionado à investigação sobre prostituição, e não deve ser confundido automaticamente com as acusações envolvendo menores.
Durante a apresentação dos resultados, Judd afirmou que os funcionários detidos foram identificados no decorrer da investigação. A Disney informou às autoridades que havia demitido os trabalhadores envolvidos, segundo declarações do xerife. Até o momento das primeiras divulgações, não havia confirmação equivalente sobre a situação profissional dos quatro funcionários da Universal.
Histórico criminal e apreensão de armas e drogas
Os registros apresentados pelas autoridades indicam que os 281 detidos acumulavam, em conjunto, 798 acusações criminais anteriores, das quais 358 eram relacionadas a crimes graves. Nove pessoas estavam em liberdade condicional por condenações anteriores, incluindo casos de roubo a bancos e maus-tratos contra crianças. Outras nove já haviam sido detidas em operações anteriores conduzidas pelo Gabinete do Xerife de Polk.
Durante a ação, os investigadores apreenderam 24 armas de fogo e registraram acusações de posse de drogas contra 32 suspeitos. Entre as substâncias mencionadas estão metanfetamina, cocaína e fentanil.
Outro dado divulgado pelas autoridades foi a origem geográfica dos detidos. Apenas 40 dos 281 presos residiam no condado de Polk. Os demais vieram de outras regiões da Flórida, de 20 estados norte-americanos e de 18 países.
O xerife também informou que 32 pessoas detidas estavam em situação migratória irregular nos Estados Unidos. Elas seriam originárias de nove países, entre eles Cuba, Venezuela, México e Haiti. Dezesseis já haviam sido entregues à custódia do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE).
Autoridades prometem buscar penas máximas
O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, afirmou que o estado pretende processar os suspeitos com o rigor previsto na legislação. Segundo ele, mais de 2.300 pessoas suspeitas de crimes sexuais contra menores foram presas em operações realizadas em todo o estado desde fevereiro de 2025.
Na Flórida, viajar com a intenção de encontrar um menor para praticar atividade sexual ilícita é classificado como crime grave de segundo grau, sujeito a uma pena de até 15 anos de prisão estadual.
O xerife Grady Judd também fez um alerta aos pais sobre os riscos de abordagens de adultos a crianças e adolescentes pela internet. Segundo ele, a investigação identificou suspeitos que utilizavam plataformas digitais para estabelecer contato e tentar organizar encontros presenciais.
As autoridades ressaltaram que a operação envolveu diferentes órgãos de segurança e organizações de assistência às possíveis vítimas de exploração sexual. A investigação continua, e os casos individuais deverão seguir os procedimentos judiciais correspondentes.
Apesar do número elevado de prisões, é importante destacar que os detidos são suspeitos e acusados, não pessoas definitivamente condenadas. A responsabilidade criminal de cada um deverá ser estabelecida pela Justiça, com base nas provas apresentadas nos respectivos processos.