Yasmeen Ali, de 44 anos, confessou três homicídios culposos com responsabilidade diminuída após avaliação psiquiátrica apontar um grave transtorno mental. O caso também levantou questionamentos sobre a assistência que ela recebeu antes da morte das crianças, em fevereiro de 2024.

Uma mulher de 44 anos admitiu ter matado os três filhos pequenos em casa, na cidade de Bristol, no sudoeste da Inglaterra. Yasmeen Ali, inicialmente acusada de três homicídios, declarou-se culpada de três acusações de homicídio culposo com responsabilidade diminuída. Nesta sexta-feira, 23 de outubro de 2026, ela recebeu uma ordem de internação hospitalar por tempo indeterminado em uma unidade psiquiátrica segura.

As vítimas foram Fares Bash, de sete anos, Joury Bash, de três, e Mohammed Bash, de apenas nove meses. Os três irmãos foram encontrados mortos na residência da família, no bairro de Sea Mills, em 18 de fevereiro de 2024. Os exames periciais concluíram que as crianças morreram em decorrência de ferimentos provocados por arma branca.

A decisão de aceitar as declarações de culpa foi tomada após a análise de relatórios psiquiátricos que apontaram que Ali sofria de uma condição grave de saúde mental no momento das mortes. Segundo as informações apresentadas em juízo, ela estava em um quadro de psicose aguda. Especialistas também apontaram um possível diagnóstico de transtorno esquizoafetivo.

Ao determinar a internação por tempo indeterminado, o juiz Mr Justice Linden afirmou que a tragédia provocou uma dor imensurável para os pais das crianças. Ele também declarou que, em sua avaliação, Ali não teria cometido os atos se estivesse bem de saúde mental e a descreveu como uma mãe que demonstrava amor e cuidado pelos filhos.

Pai descreve filhos como seu mundo

Durante o processo, o pai das crianças, Alfil Bash, expressou a dimensão do sofrimento provocado pela perda dos três filhos. Em uma declaração apresentada ao tribunal, ele afirmou que nenhuma palavra seria capaz de descrever a dor que enfrenta.

Ele também destacou que Fares, Joury e Mohammed eram crianças inocentes, que mereciam viver por muitos anos, fazer amizades e construir suas próprias famílias no futuro.

“Passarei o resto da minha vida de luto pelos meus filhos”, declarou.

O pai afirmou ainda que uma parte dele morreu com a perda das crianças. A declaração foi apresentada durante o processo judicial, que examinou as circunstâncias das mortes e a condição de saúde mental da mãe.

Atendimento psiquiátrico antes da tragédia

O caso também trouxe à tona questionamentos sobre o acompanhamento de saúde mental recebido por Ali nos dias anteriores às mortes.

De acordo com informações apresentadas no tribunal, preocupações sobre seu estado psicológico foram comunicadas aos profissionais responsáveis pelo atendimento no início de fevereiro de 2024. Uma avaliação nos termos da legislação britânica de saúde mental chegou a ser solicitada para determinar se ela precisava de internação.

No entanto, o procedimento não avançou naquele momento devido à falta de um leito psiquiátrico disponível para uma eventual admissão hospitalar. A avaliação acabou sendo cancelada em 9 de fevereiro, depois que profissionais consideraram que Ali aparentava estar melhor e ela própria afirmou ter voltado ao seu estado habitual.

Nove dias depois, um vizinho acionou os serviços de emergência, preocupado com a situação na residência. Policiais foram ao imóvel e encontraram as três crianças mortas. Ali também apresentava ferimentos autoinfligidos e precisou receber atendimento hospitalar.

Durante a audiência, o juiz mencionou deficiências na avaliação da condição de saúde mental da mulher. O serviço de saúde mental responsável por parte de seu atendimento também apresentou um pedido de desculpas pelas falhas identificadas e informou que medidas haviam sido e seriam adotadas para enfrentá-las.

Polícia foi avaliada após contato anterior com a família

Após as mortes, a Polícia de Avon e Somerset encaminhou o caso ao Escritório Independente para a Conduta Policial, órgão responsável pela supervisão da atuação policial na Inglaterra e no País de Gales, devido a contatos anteriores com a família.

O órgão de fiscalização concluiu que não era necessária uma investigação própria. A decisão não elimina os questionamentos levantados durante o processo sobre a assistência prestada à mulher antes da tragédia.

O caso foi acompanhado por pessoas próximas à família e pela comunidade de Sea Mills, onde moradores prestaram homenagens às três crianças após as mortes.

Com a ordem de internação por tempo indeterminado, Ali permanecerá em uma unidade psiquiátrica segura, sob cuidados especializados. A decisão judicial considerou os relatórios médicos e a relação entre sua condição de saúde mental e os atos pelos quais ela admitiu responsabilidade.

Adicionar comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *