Bruno Fernando Rego, de 28 anos, estava desaparecido desde 5 de julho. Segundo a família, o corpo foi localizado três dias depois, mas os parentes só foram informados em 7 de setembro
O brasileiro Bruno Fernando Rego, de 28 anos, natural de Capivari, no interior de São Paulo, foi encontrado morto em Paris, na França, após ter sido dado como desaparecido por mais de dois meses. Segundo a família, o corpo foi localizado poucos dias depois do desaparecimento, mas os parentes só receberam a confirmação da morte em 7 de setembro.
Bruno morava na região de Paris e trabalhava como motorista de aplicativo. Ele havia se mudado para a França em setembro de 2025, segundo informações divulgadas anteriormente pela família, e buscava juntar dinheiro para ajudar a custear o tratamento de saúde da filha, de quatro anos, que vive no Brasil.
A morte foi confirmada pela irmã de Bruno, Beatriz Rego, em publicações nas redes sociais. Segundo ela, o corpo do motorista foi localizado em 8 de julho, apenas três dias depois de ele ter desaparecido.
As circunstâncias da morte ainda não foram divulgadas. A polícia francesa não informou publicamente, até o momento, o que aconteceu com o brasileiro nem se há suspeitos ou alguma linha de investigação específica relacionada ao caso. O Itamaraty acompanha a situação e presta assistência consular à família.
Desaparecimento em Paris
Bruno foi visto pela última vez em 5 de julho, em Paris. O desaparecimento chamou a atenção porque ele mantinha contato frequente com familiares e amigos no Brasil.
Um amigo de Capivari que conversava diariamente com Bruno por chamadas de vídeo foi uma das primeiras pessoas a perceber que havia algo errado. Depois de não conseguir mais falar com o motorista naquele dia, ele comunicou o desaparecimento à família.
Na época, familiares relataram que Bruno havia desaparecido deixando para trás diversos pertences pessoais, inclusive o passaporte. Ele teria saído apenas com a roupa que usava.
O brasileiro também trabalhava com um veículo alugado, equipado com sistema de rastreamento. Durante as buscas, familiares tentaram obter informações sobre o automóvel e forneceram às autoridades francesas dados como a placa e o modelo do carro.
O desaparecimento chegou a ser registrado pela Assistência e Pesquisa de Pessoas Desaparecidas, organização francesa que mantém uma base de casos de pessoas desaparecidas. Bruno aparece no sistema da entidade como desaparecido em Paris desde 5 de julho de 2026.
Família passou semanas procurando por Bruno
Durante as primeiras semanas após o desaparecimento, familiares e amigos realizaram uma campanha para tentar localizar Bruno e divulgar informações sobre o caso.
A irmã Beatriz Rego, que vive em Portugal, chegou a cobrar maior agilidade das autoridades francesas. Em julho, quando ainda não havia qualquer informação sobre o paradeiro do irmão, ela afirmou que a família havia fornecido dados sobre o veículo utilizado por Bruno e buscava respostas sobre as diligências realizadas pelas autoridades.
Naquele momento, o Ministério das Relações Exteriores informou que tinha conhecimento do caso e prestava assistência consular aos familiares por meio da Embaixada do Brasil na França. O Itamaraty, entretanto, ressaltou que não divulga informações pessoais de brasileiros atendidos pela rede consular nem detalhes das medidas adotadas em casos individuais.
A família manteve as buscas durante semanas sem saber que, segundo a informação recebida posteriormente, Bruno já havia sido encontrado morto.
Corpo foi localizado três dias depois do desaparecimento
A cronologia divulgada pela família torna o caso especialmente doloroso.
Bruno desapareceu em 5 de julho. De acordo com sua irmã, o corpo foi encontrado em 8 de julho, apenas três dias depois.
Apesar disso, os familiares só receberam a notícia em 7 de setembro, mais de dois meses após o desaparecimento. Foi somente então que a família comunicou publicamente que o brasileiro havia sido encontrado sem vida.
Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre onde exatamente o corpo foi encontrado, em que circunstâncias ocorreu a morte ou por que a família só foi informada semanas depois.
A família também afirmou que não pretende divulgar mais informações sobre o caso neste momento.
Bruno estava na França para trabalhar e ajudar a filha
Antes de desaparecer, Bruno havia construído uma rotina de trabalho na região de Paris.
Segundo os familiares, ele tinha ido para a Europa em busca de melhores oportunidades e trabalhava como motorista de aplicativo para conseguir enviar dinheiro ao Brasil.
A principal motivação, segundo os parentes, era contribuir para o tratamento médico da filha, de quatro anos. Reportagens publicadas durante as buscas informaram que a menina sofreu sequelas neurológicas após um episódio de engasgo e precisava de cuidados médicos.
Em julho, familiares descreviam Bruno como alguém que mantinha contato frequente com pessoas próximas e que não costumava desaparecer sem dar notícias.
A ausência repentina e o fato de ter deixado seus pertences para trás foram alguns dos elementos que aumentaram a preocupação da família.
Mandado de prisão veio à tona durante as buscas
Durante a investigação sobre o desaparecimento, também veio a público a existência de um mandado de prisão contra Bruno relacionado a uma acusação de violência doméstica por lesão corporal.
A informação foi divulgada enquanto familiares e amigos procuravam pelo brasileiro. A irmã Beatriz, porém, afirmou publicamente que o caso não tinha relação com o desaparecimento e pediu que não fossem feitas especulações.
Segundo ela, o episódio que originou o mandado teria ocorrido em agosto de 2024, enquanto Bruno teria mantido relacionamento com a pessoa envolvida até março de 2026. Ainda de acordo com a irmã, ele se mudou para a França em setembro de 2025 e não teria deixado o Brasil para fugir de uma eventual responsabilização judicial.
O Tribunal de Justiça de São Paulo foi procurado para fornecer informações sobre o mandado e as acusações, mas informou que o processo tramita em segredo de Justiça. Por esse motivo, não há informações públicas suficientes para detalhar o caso ou estabelecer qualquer relação entre o mandado e a morte de Bruno.
Investigação deve esclarecer circunstâncias da morte
Até agora, as autoridades francesas não divulgaram as circunstâncias da morte do brasileiro.
A ausência de informações oficiais impede afirmar se Bruno foi vítima de um crime, se houve acidente ou se a morte ocorreu por outras causas. Também não há, publicamente, confirmação sobre suspeitos ou sobre a existência de uma investigação criminal relacionada ao caso.
A confirmação da morte encerra uma longa espera para a família, mas abre uma nova etapa: esclarecer o que aconteceu com o brasileiro entre os últimos momentos em que foi visto e a localização de seu corpo.
O Itamaraty continua em contato com os familiares para prestar a assistência consular necessária.
Para os parentes e amigos de Bruno, a expectativa agora é que as autoridades francesas esclareçam as circunstâncias da morte e forneçam informações que permitam compreender o que aconteceu nos últimos dias de vida do motorista.
O caso também deixa uma pergunta ainda sem resposta: por que o corpo foi localizado apenas três dias depois do desaparecimento, mas a família só tomou conhecimento da morte mais de dois meses depois?
Até que as autoridades francesas apresentem novas informações, essa cronologia permanece como um dos principais pontos ainda não esclarecidos do caso.