
“Katrina, Sandy, Mathew, Harvey. Todos esses são nomes de furacões de alta intensidade que atingiram os Estados Unidos da América nos últimos anos. Mas, por que os EUA são tão atingidos por tantos furacões e tornados?
Nesta semana, uma série de tornados devastou várias regiões dos Estados Unidos, causando destruição significativa e afetando a vida de muitas pessoas. Esses tornados atingiram principalmente os estados do Texas, Oklahoma, Kansas e Missouri, áreas conhecidas por sua vulnerabilidade a esses eventos climáticos devido às condições meteorológicas favoráveis.
Diversas cidades dos Estados Unidos enfrentam a fúria dos tornados. Furacões são causados pelo aquecimento das águas dos oceanos em regiões intertropicais. Durante a primavera e o início do verão no Hemisfério Norte, ocorre a Temporada de Furacões do Atlântico Norte. Nessa época, a incidência aumentada de raios solares eleva a temperatura das águas do oceano. Com uma temperatura média de 27 °C, essas massas de água quente começam a evaporar, e o vapor de água, ao se condensar, forma grandes nuvens que podem se estender por até 500 quilômetros.
O ar quente e úmido, sendo menos denso, sobe, diminuindo a pressão atmosférica na superfície e criando uma área de baixa pressão. Nos arredores dessa área, há uma região de ar frio e alta pressão atmosférica. Essa dinâmica atmosférica faz com que massas de ar da região de alta pressão se desloquem para o centro, formando os ventos velozes dos furacões. Esses ventos carregam a umidade da superfície das águas oceânicas, acentuando o processo de formação de grandes nuvens de chuva e aumentando a temperatura, originando os furacões.
No centro das nuvens, forma-se o olho do furacão, uma área com cerca de 20 quilômetros de diâmetro onde há muito calor e não chove, contribuindo para retroalimentar o sistema do furacão com vapor de água. Devido ao movimento de rotação da Terra de oeste para leste, os furacões se deslocam no sentido anti-horário no Hemisfério Norte, formando um funil onde as paredes podem atingir ventos de até 250 km/h.
Os furacões tendem a buscar regiões onde a água está mais quente para continuar seu ciclo, por isso se movimentam do oceano rumo ao continente, que costuma ser mais quente devido ao efeito de continentalidade. Ao atingir o continente americano, especialmente as costas leste e sul, os furacões perdem um pouco de força e se dissipam, mas ainda provocam inundações e estragos significativos.
Embora o tempo de formação, duração e dissipação de um furacão permita previsões pelas agências de monitoramento, isso não impede a destruição causada por esses eventos. Por exemplo, o furacão Harvey, que atingiu o Texas em agosto de 2017, causou grande destruição em Houston antes de perder força e se transformar em uma tempestade tropical. Outro exemplo devastador foi o furacão Katrina em 2005, que atingiu New Orleans, resultando em diques rompidos, meio milhão de desabrigados e muitas mortes. A força dos furacões é medida pela escala Saffir-Simpson, que varia de um a cinco.
Os Estados Unidos também enfrentam uma alta incidência de tornados, com cerca de 1.200 ocorrências por ano, segundo a NOAA e o Serviço Meteorológico Nacional. Os tornados geralmente ocorrem no centro-oeste do país e perto das Montanhas Rochosas, de abril a setembro. Diferente dos furacões, os tornados se formam sobre a terra. Eles surgem quando uma coluna de ar girando rapidamente se conecta a uma nuvem de chuva e ao solo, formando um funil de vento.
Os tornados são menores que os furacões, com extensões de aproximadamente 100 metros. Devido à sua formação e duração rápidas, os tornados são menos previsíveis e causam muitos desastres. Eles são classificados pela escala Fujita, de zero a cinco, sendo a maioria identificada como F0 ou F1, com fraco poder de destruição. No entanto, tornados extremamente destrutivos também ocorrem. Pesquisadores concluíram que esses tornados são formados a partir de supercélulas, tempestades de trovões que se movem em círculos.
Em 2013, um tornado F5 em Oklahoma, com diâmetro de 4,2 km, devastou vegetações, construções e bairros inteiros. Em dezembro de 2021, uma série de tornados atingiu seis estados americanos, matando cerca de 100 pessoas. Kentucky foi o estado mais atingido, com ventos de mais de 400 km/h destruindo residências e indústrias. O tornado mais longo já registrado nos EUA, o Tornado de Três Estados de 1925, percorreu 352 quilômetros, atravessando Missouri, Illinois e Indiana. Ao todo, 695 pessoas morreram e mais de 2 mil ficaram feridas.
Fonte: Brasil Escola / Sabrina Carrijo Pessoa – Graduada em Geografia”