Amanda Siqueira – uma passista brasileira em Londres

Quem acompanha minimamente a cena cultural da comunidade brasileira em Londres vai lembrar de Amanda Siqueira. Só nas páginas deste jornal ela esteve ultimamente na cobertura do desfile de moda do Connected Woman Club (CWC) e na premiação do Guia Londres. Amanda está mesmo em um bom momento da sua nova carreira de passista.

“O entretenimento voltou com tudo”, explica a paulistana que é também londrina desde dezembro de 2018. Para se ter uma ideia da popularidade e sucesso dela, no sábado (18/06) essa era a agenda da moça: um evento que a manteria ocupada entre 10h e 15h30, outro entre 16h30 e 21h e um terceiro entre 22h30 e 01h.

De uma bem-sucedida carreira em marketing à passista com agenda lotada no Reino Unido

Calma: ela não passa todo esse tempo sambando de salto alto. “Sempre calculo uma hora de transporte e mais algum tempo para conhecer o espaço, conversar com DJ e me arrumar, colocar o adereço da cabeça que é gigante”, diz. Detalhe: a maquiagem ela faz em casa, antes de sair.

Interessante pensar que Amanda só aceitou o mundo do entretenimento e da dança como profissão em 2019. Ela já dançava no Brasil, era passista desde 2014 na escola de samba Vai-Vai, de São Paulo. “Mas não passava de um hobby”, conta.

Do marketing para o samba

Naquela época, e pelos 13 anos que antecederam a saída do Brasil, ela trilhava uma bem-sucedida carreira na área de marketing. “Lá nem existe essa profissão de passista, viver de dança no Brasil não é viável e nem existe estímulo para isso”, diz. “Eu seguia a ordem natural das coisas, terminei universidade, fiz MBA, casei-me, mas aí meu marido sugeriu a gente sair do país e eu aceitei na hora.”

O marido Felipe Ferrara vendeu o pequeno negócio que tinha, Amanda pediu as contas depois de 13 anos de firma e os dois partiram para a Europa. Primeiro, o casal foi para Itália, onde tirou o passaporte italiano. Depois, seguindo os passos de uma tia que já morava em Londres há mais de 12 anos, mudou-se para a capital inglesa.

Amanda lembra bem: ela chegou em Londres em dezembro de 2018 e só descobriu que havia carnaval na capital inglesa em julho de 2019. Foi um longo inverno frio, que ela e Felipe atravessaram trabalhando como cleaners no experiente noturno, limpando escritórios.

Mas isso foi antes dos dois se reconectarem com o samba. Foi depois de um desfile de carnaval em Notting Hill que a carreira de Amanda como passista profissional começou.

“As companhias de dança de Londres passaram a me convidar para eventos”, conta. “Também faço uma performance fixa todos os sábados em um restaurante de Londres, mas aí não é samba, é algo mais teatral.”

Felipe também segue carreira artística no Reino Unido. Ele tem um grupo de samba em Londres, o Samba London, antigo Samba SP.

Casal do samba: Amanda é passista e Felipe tem um grupo musical em Londres

Mais que samba, carisma

Samba no pé e beleza está claro que Amanda tem, mas por trás de uma agenda lotada está uma outra característica da paulistana. “Eu tenho muita facilidade em entreter as pessoas. Eu brinco, passo confiança no olhar.”

Sobre as diferenças entre o público brasileiro e o inglês, Amanda diz: “São muito diferentes. Do público brasileiro, eu sinto um olhar de admiração. Do inglês, sinto olhar de admiração, mas também tem sempre aquela grande interrogação. No último evento do Connected Women Club, com a maioria do público de mulheres brasileiras, eu me senti incrivelmente acolhida”.

Em terras britânicas, Amanda sabe que sua presença pode significar uma reconexão imediata com um Brasil reluzente e feliz. País para onde ela pretende um dia voltar. “Gosto muito da minha terra e quero voltar um dia, mas agora é o momento de aproveitar essa oportunidade que a vida me trouxe”, diz.

Da vida em Londres, ela não reclama. A única coisa que a passista brasileira ainda não conseguiu se adaptar foi o frio. “O inverno aqui é tão longo”, lamenta. Mas nada que um samba no pé não possa aquecer.

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