Caravana humanitária para Moçambique sai de UK em 27/09

A organização Fraternidade sem Fronteiras, núcleo UK, divulgou as datas para a próxima caravana de trabalho humanitário para Moçambique. Será entre os dias 27 de setembro e 8 de outubro.

Os organizadores da viagem explicam que as datas já estão pré-agendadas com a companhia aérea e para confirmar a participação, a pessoa deve enviar uma cópia do passaporte para info@mabelcastrotravel.com. Importante colocar no título do e-mail: Caravana para Moçambique.

Nessas jornadas humanitárias, os voluntários vão dispostos a ajudar e podem ser integrados em vários grupos de atividades. “Podem participar todos aqueles que estão comprometidos com o amor ao próximo e o desejo de ajudar”, explica o material informativo. “Há atividades e trabalho para todos, sem exceção.”

A passagem custará por pessoa £ 615, incluindo todas as taxas, uma mala de 23 quilos, mais uma mala de mão de oito quilos. Ainda não é preciso pagar nada. Basta bloquear a data e confirmar a participação entrando e contato com os organizadores.

Gilson Guimarães, da Fraternity without Borders UK, disse que o custo restante da viagem (acomodação, alimentação, água, transporte) ainda está sendo calculado, mas deve ficar em torno de £ 700.

“Estou finalizando a revisão no manual revisado, com todas as informações importantes sobre vistos, o que levar, vacinas”, diz Gilson. O manual também terá versão em inglês. “Caso tenha interesse, entre em contato conosco para que seu nome seja colocado em nossa lista, pois as vagas são limitadas”, diz.

Notícias em Português convidou dois brasileiros que tiveram essa experiência. Leia a seguir os relatos de Ana Franco e Filipe Mendonça.

Para mais informações, acesse www.fraternitywithoutborders.co.uk.

Ana Franco, gerente de contas, brasileira

“Minha amiga Marli Pires ganhou dois ingressos para a peça do Gandhi e me convidou para ir com ela. Esse foi meu primeiro contato com a Fraternity without Borders UK. Participei da caravana da educação em Moçambique há três anos. Foram 10 dias e estávamos em 21 pessoas.

Fazer um trabalho voluntário na África já era um sonho de muitos anos. Além das vacinas e medicações necessárias para a viagem, também precisamos providenciar o visto para Moçambique e criei uma página de doações online para arrecadar dinheiro para a compra de materiais escolares. Organizei também com amigos para recolher roupas infantis.

Ao todo visitamos cinco centros de acolhimento. Na chegada sempre éramos recebidos com danças e músicas e na sequência iniciávamos nossos trabalhos. Participamos na organização dos materiais escolares e entrega dos kits, separação e entrega das roupas, ajudamos com a preparação e distribuição da comida além de, claro, entreter as crianças com brincadeiras e até uma peça teatral, que era o momento mais esperado por elas.

No primeiro centro de acolhimento encontramos crianças que estavam sem comer por quatro dias. Mesmo assim elas sorriam e brincavam. Na hora que começamos a distribuição de comida, elas foram divididas por faixa etária. Todas elas esperavam sentadas seu prato de comida. Quando finalmente recebiam, notei que elas não começavam a comer. Elas esperaram todos os amiguinhos receberem seus pratos para então, juntas, rezarem um Pai Nosso.

Outra coisa que nos emocionou foi a relação entre irmãos. Como muitos são órfãos ou os pais trabalham, o irmão mais velho fica responsável pelos mais novos. Muitas vezes víamos crianças de no máximo cinco anos de idade carregando seus irmãozinhos mais novos no colo. Eles não se desgrudavam nem na hora de brincar.

Eu fui achando que estava preparada para o que iria encontrar, mas descobri que não existe isso. A África te traz todos os sentimentos possíveis e imagináveis ao mesmo tempo. Ela choca ao mesmo tempo que te apaixona. Fui para levar amor mas não tenho como descrever o amor que recebi. Acabamos sendo mais ajudados porque nos damos conta do quão somos abençoados, é de como nossos problemas são pequenos. Nos faz reavaliar todos os nossos conceitos ao mesmo tempo.”

Filipe Mendonça, psicoterapeuta, brasileiro

“Nossa chegada a Muzumuia, um dos 30 centros de acolhimento e também principal abrigo dos caravaneiros, foi de muita emoção, pois fomos presenteados com muita música, dança, todas cheias de amor e carinho. O principal tema era o agradecimento aos padrinhos e caravaneiros, que ajudaram a fazer o que hoje representa esperança e dignidade, tanto para os adultos como, principalmente, para crianças, que hoje têm a oportunidade de uma educação de qualidade, água e comida, o que era algo raro, ou inexistente, antes do projeto Fraternidade sem Fronteiras se instalar lá.

Abrir o centro de acolhimento de Hoyo Hoyo foi particularmente emocionante. Ver que o Fraternidade Sem Fronteiras do Reino Unido, ao qual eu faço parte, conseguiu, com muito trabalho e dedicação, durante todos esses anos, ajudar a finalizar as obras necessárias, para abertura deste centro. Em todas as aldeias cadastradas e assistidas que visitávamos, conhecíamos vários moradores em suas casas, conversávamos sobre o estado das escolas, o que, muitas vezes nos comovia, a ponto de nos deixar perplexos, vendo as condições que muitos ainda vivem, e o quanto ainda precisa ser feito.

Das aldeias visitadas, sejam elas Muzumuia, Hoyo Hoyo, Bumela, ou até mesmo as mais distantes, quase na divisa com Zimbábue, como Dingue, Madulo e Bobobo, todas tinham a mesma particularidade: a alegria contagiante das crianças com a nossa chegada, muitas delas sem mesmo condições básicas, precisando andar quilômetros para buscar água e, ainda assim, impróprias para o consumo. Crianças essas que nos ensinaram muito, dividindo o pouco de comida que tinham, quando a do amiguinho caía no chão, cedendo aquela única colher, para dividir para três crianças, sem ninguém os orientar a fazê-lo, a alegria estampada nos rostinhos em ganhar um simples balão, ou assoprar uma bolinha de sabão, ter o rosto pintado etc.

O que eles não sabem é que nós, padrinhos e caravaneiros, aprendemos muito mais com eles, do que eles com a gente, através de gestos sem qualquer sentimento de egoísmo ou orgulho.

Voltei para casa com meu coração em Moçambique, pois ainda há muito trabalho a fazer, mas, mais que nunca, muita alegria em poder contribuir para o crescimento de crianças que nos cativaram com sua pureza e simplicidade de viver, e sem reclamar.”

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