Leopoldina, a imperatriz da independência do Brasil

Por Lourenço Marques – @olourencomarques 

“E foi da Áustria a escolhida. Carolina Josefa Leopoldina.” Assim cantou em 1996 a Imperatriz Leopoldinense sobre a Imperatriz que deu nome à escola. É mais que importante lembrar que quem de fato decidiu pela separação de Portugal foi ela, a então Princesa Regente Interina do Brasil, Leopoldina.

Desde o final do mês de agosto de 1822, as relações entre Portugal e Brasil estavam críticas. Em uma carta a Pedro, no dia 29 daquele mês, Leopoldina disse: “As notícias de Lisboa são péssimas: 14 batalhões vão embarcar nas três naus, mandou-se imprimir suas cartas e o povo lisboense tem-se permitido toda a qualidade de expressões indignas contra sua pessoa, na Bahia entraram 600 homens e duas ou três embarcações de guerra.”

Em outra carta, dizia: “Pedro, o Brasil está como um vulcão […] O Brasil será em vossas mãos um grande país. O Brasil vos quer para seu monarca. Com o vosso apoio ou sem o vosso apoio ele fará a sua separação. O pomo está maduro, colhei-o já, senão apodrece. ”

Dom Pedro I estava em missão em São Paulo, quando no dia 2 de setembro, Leopoldina decide por fazer uma reunião do Conselho do Estado no Paço Imperial e, junto aos ministros toma a decisão mais importante de sua vida: daquele momento em diante, o Brasil estaria independente de Portugal. Assim, é enviada uma carta a Dom Pedro I e em São Paulo, no dia 7 de setembro, ele proclama a Independência.

Já na Marquês de Sapucaí, a Imperatriz, dessa vez a Leopoldinense, fez uma apresentação digna de título, a escola vinha tentando o tricampeonato e tinha escolhido a nobre dama para ser seu enredo. Naquele ano, Rosa Magalhães, a carnavalesca da escola, foi até a Áustria, conheceu onde Leopoldina nasceu e outros lugares importantes da vida da Imperatriz. Apesar do grandioso desfile, a escola não foi campeã por 0,5 ponto. 

O enredo contava a história da vinda da Corte Portuguesa em 1808 para o Brasil e também a vinda de Leopoldina, alguns anos depois. 

O samba de Jurandir, Demarco, China e Dominguinhos do Estácio, digno de uma aula de história trás, em frases, momentos marcantes dessas trajetórias como: Atravessou o Mar/ Temendo a invasão a Portugal/ Desembarcando aqui/ Toda Família Real. / O tempo passou/ Dom Pedro precisava se casar/ E foi da Áustria a escolhida/ Carolina Josefa Leopoldina.

A história nos conta que quando os enviados de Dom João foram à Europa buscar uma pretendente para Dom Pedro I, levaram muitas joias e um medalhão com sua imagem, e esse fato também não passou despercebido no samba que dizia: Diamantes são presentes/ Junto ao rico medalhão/ Que fascina Leopoldina/ E que se casa por procuração.

Por estar do outro lado do oceano, Leopoldina e Dom Pedro se casaram no papel, através de uma procuração e logo depois ela embarcou para as Terras Brasileiras, vivendo aqui até o fim de sua vida. 

A Imperatriz, muito mais culta e preparada que Dom Pedro, por diversas vezes teve participações nas decisões de Estado, muitas vezes o Imperador recorria até ela para tomar suas decisões. Leopoldina era também muito popular por todo o reino e houve uma grande comoção quando faleceu. 

Por isso, mais do nunca: 

Viva a Imperatriz Leopoldina, a primeira mulher a governar o Brasil de fato e que foi crucial para que o país se tornasse uma nação independente.

* Lourenço Marques é jornalista, integrante do Samba de Bamba UK. No Instagram, @sambadebamba_uk. Facebook e YouTube: Samba de Bamba UK.

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